Estrutura intriga equipe em expedição submarina
Ninguém esperava encontrar uma estrada a mais de 3.000 metros abaixo da superfície do Oceano Pacífico. No entanto, quando as câmeras do ROV captaram a formação rochosa com blocos amarelados e ângulos perfeitos de 90 graus, a reação pelo rádio foi imediata: “É o caminho para Atlântida”, exclamou um dos pesquisadores, antes de outro completar: “A estrada de tijolos amarelos?”.
Formação geológica
A estrutura foi encontrada na Cordilheira Liliʻuokalani, ao norte do Havaí, dentro do Monumento Nacional Marinho Papahānaumokuākea (PMNM), uma das maiores áreas marinhas protegidas do mundo. Além disso, a formação impressiona pela regularidade: blocos amarelados com fraturas em ângulos retos, alinhados como tijolos de pavimento.
Conforme o Science Alert, a aparência quase artificial resulta de um processo geológico preciso, sem qualquer interferência humana. Ainda assim, o aspecto “seco” e “escamável” da superfície, semelhante a um leito de lago ressecado, representa uma característica típica dessa classe de formação vulcânica.
Explicação científica
A rocha que forma a estrutura é chamada hialoclastito (hyaloclastite), um tipo de rocha vulcânica criada quando lava em erupção entra em contato brusco com a água fria do fundo do mar e se solidifica rapidamente. Com o tempo, e sob ciclos repetidos de aquecimento e resfriamento provocados por múltiplas erupções, a rocha se fratura em padrões geométricos regulares.
As características que tornam a formação visualmente impactante incluem fraturas em ângulos de 90 graus causadas pelo estresse térmico, coloração amarelada resultante da composição mineral e da oxidação ao longo de milênios, superfície “escamável” típica do resfriamento brusco e alinhamento regular dos blocos que imita um pavimento construído.
Descoberta oceânica
A descoberta ocorreu em abril de 2022 por pesquisadores do Ocean Exploration Trust, a bordo do navio de exploração E/V Nautilus. Um veículo submarino operado remotamente (ROV) captou as imagens a mais de 3.000 metros de profundidade e as transmitiu ao vivo para a equipe de bordo.
A gravação do momento, com as exclamações dos pesquisadores, foi publicada no YouTube pelo Ocean Exploration Trust e viralizou globalmente. Para compreender o fenômeno, especialistas apontam a pareidolia — tendência do cérebro humano de identificar padrões familiares em formas aleatórias — como explicação para a percepção de uma “estrada”.
Segundo o Yahoo News, a relevância científica vai além do impacto visual. Os dados coletados durante a expedição ajudam a entender como processos geotérmicos e vulcânicos subaquáticos moldam o leito oceânico e fornecem informações sobre a formação de montes submarinos.
A formação permanece protegida dentro do PMNM, o que impede atividades como pesca e mineração. Ainda assim, um dado chama atenção: menos de 0,001% do fundo oceânico profundo da Terra foi observado diretamente por pesquisadores. Dessa forma, o que parece uma “estrada” no fundo do Pacífico reforça a dimensão do desconhecido — o oceano cobre mais de 70% da superfície do planeta, e grande parte dele ainda não foi explorada.
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