Anápolis não é uma ilha. Ela faz parte de um contexto global e isso implica em acompanhar o “termômetro” das mudanças que acontecem pelo mundo, sobretudo, as mudanças climáticas.
Há poucos dias, ainda na primavera, o município teve tempestade com rajadas de vento. Uma hora faz calor, outra hora chove e, às vezes, um pouco de frio se mistura ao clima da cidade.
Parte dessas mudanças são atribuídas ao fenômeno El Niño. Mas, também, há de alguns anos para cá, estudos que mostram que o clima no planeta está em transformação. Nada de cenário de filme de catástrofe, mas que está mudando está e isso todo mundo já sente um pouco no dia-a-dia.
Olhando para esse horizonte de mudanças climáticas, a Prefeitura de Anápolis e a Urbtec, a empresa que foi contratada para trabalhar o projeto de revisão do Plano de Diretor de Anápolis elaborou algo mais amplo: o Estudo de Macroestruturação Estratégica, que abarca não só o Plano Diretor, mas também o Plano de Mobilidade, o Masterplan, o Plano de Arborização e o Plano de Ação Climática.
Neste Plano de Ação Climática, o objetivo é ter um instrumento de planejamento voltado à identificação de riscos, vulnerabilidades e estratégias de enfrentamento aos efeitos das mudanças climáticas no município.
De forma que esse planejamento servirá de ferramenta para orientar ações de mitigação, adaptação e resiliência urbana, considerando temas como: drenagem urbana, áreas de risco, eventos climáticos extremos, conservação ambiental, infraestrutura verde, proteção de recursos hídricos, arborização urbana (que já tem um plano próprio) e qualificação dos espaços públicos.
O objetivo é construir diretrizes e ações capazes de reduzir vulnerabilidades socioambientais, fortalecer a capacidade de resposta do município e promover um modelo de desenvolvimento urbano mais preparado para os desafios climáticos.
O Plano de Ação Climática está sendo desenvolvido a partir da análise das condições ambientais e climáticas do município, da identificação de vulnerabilidades e riscos, da definição de estratégias de mitigação e adaptação e da formulação de ações prioritárias para fortalecer a resiliência urbana de Anápolis.
Diagnóstico
No site da Prefeitura, o Estudo de Macroestruturação Estratégica conta com vários documentos elaborados, entre eles, o diagnóstico do Plano de Ação Climática. É um levantamento técnico bem amplo, com quase 140 páginas.
Nesse diagnóstico, há informações sobre a situação climática presente e as projeções futuras; as fragilidades ambientais do território; o estudo das áreas do município que são suscetíveis a alagamentos.
Além disso, traz ainda informações relativas à Defesa Civil; estrutura ambiental; observações dos eventos climáticos extremos; políticas ambientais; os recursos hídricos e bacias hidrográficas; o saneamento e, mesmo, questões ligadas até na área da saúde, como a atualização epidemiológica das arboviroses.
O relatório
O diagnóstico do Plano de Ação Climática está organizado em sete capítulos, começando com a primeira parte, que é uma introdução que explica a proposta e como ela será trabalhada no contexto do planejamento urbano local.
O segundo capítulo apresenta a caracterização do município, com atenção ao relevo, à aptidão do solo e ao histórico climático de temperatura, precipitação e eventos extremos.
O terceiro trata dos recursos hídricos e das áreas de preservação, abrangendo os corpos hídricos e as bacias, os mananciais de abastecimento e suas condições de capacidade, proteção dependência, a situação dos recursos hídricos, as áreas ambientais protegidas e os conflitos de uso do solo sobre áreas sensíveis.
O quarto capítulo avalia os riscos e a vulnerabilidade climática à luz do referencial do IPCC, articulando os índices setoriais, as tendências observadas e as projeções futuras.
O quinto examina as capacidades institucionais de resposta e adaptação. O sexto apresenta o inventário preliminar de emissões de gases de efeito estufa, quando aplicável.
O sétimo capítulo reúne os cenários climáticos locais projetados para os horizontes de 2030 e 2050.
O conjunto desse percurso analítico tem por finalidade reconhecer os condicionantes territoriais, ambientais e institucionais que deverão orientar a construção das diretrizes e ações do Plano de Ação Climática de Anápolis.
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