No segundo semestre de 2012 o setor imobiliário anapolino apresentou redução no número de imóveis vendidos. Segundo o consultor de imóveis Ismailey Francis, a queda nas vendas da empresa na qual trabalha chegou a 30%, quando se compara o segundo semestre de 2012 com o mesmo período de 2011. “Tem muito imóvel supervalorizado”, indicou o especialista, afirmando ser esta uma das principais causas para a redução das vendas no setor. “Tem imóvel que a gente conhece e que está há um ano sem vender. O proprietário frustrado, o mercado incha”, indicou Ismailey Francis.
Ele informou que o principal ramo afetado é o das casas vendidas por terceiros, ou seja, pessoas que construíram um imóvel particular e que agora querem passá-lo adiante. Ismailey Francis exemplificou citando investidores que desejam comprar este tipo de bem para vendê-lo no futuro quando estiver mais valorizado ou para alugá-lo, mas que acabam desistindo do negócio. “Quando o cara (o investidor) faz a conta do que ele está pagando no imóvel e da rentabilidade que ele vai ter do aluguel do mesmo, vê que não compensa”, afirmou o consultor de imóveis.
Para Ismailey, a situação é “preocupante” e a sociedade já teme a criação da chamada bolha imobiliária em Anápolis, como a que atinge atualmente países como a Espanha. Nestes casos, existe uma alta oferta de imóveis, mas poucos compradores, o que pode gerar uma crise econômica e financeira. Já, para o presidente da Associação das Imobiliárias de Anápolis (AIA), Ederval Rodrigues Araújo, “não tem esse negócio de bolha. O que ocorre é a lei de mercado, oferta e procura. Isso aí é natural. Em qualquer momento da economia tem lei de mercado”.
Segundo Ederval Rodrigues, “a perspectiva é de se normalizar” o setor, o que deve acontecer quando os vendedores começarem a adequar o preço das casas à realidade de mercado. Segundo o presidente da AIA, 20% das casas, o que representa aproximadamente 300 imóveis, à venda na cidade não tem comprador há bastante tempo. Para facilitar a venda do bem, ele indicou que, ao investir no setor imobiliário, o construtor deve saber quanto e como vai gastar. “O padrão de casa que ele quer fazer tem sempre que ser compatível com a região em que ele está”, acrescentou.
Causas
Um dos motivos que levam à supervalorização dos imóveis, apontados por Ismailey, e à consequente dificuldade para vendê-los e a falta de preparo de alguns corretores. Para ele, muitos profissionais, com o intuito de agradar ao cliente, estabelecem um valor do imóvel que não é real. “Um dos papéis que o corretor de imóveis tem de desempenhar junto ao dono de imobiliária, é conscientizá-lo para trabalhar dentro do preço de mercado; trazer o cliente às vezes para a realidade”, indicou o especialista.
Outra origem apontada para a alta no preço dos imóveis foi o investimento na infraestrutura municipal. Houve aumento dos gastos em pavimentação e melhorias nas ruas de Anápolis. Com isso, o valor de mercado dos terrenos subiu. Mesmo as casas construídas com baixo custo tiveram seus preços elevados em função do valor agregado entre lote e imóvel. Esse cenário dificulta as vendas. “Anápolis tem uma particularidade grande. Porque a Prefeitura foi o maior empreendedor da Cidade”, afirmou Ederval Rodrigues, presidente da AIA.
Construtoras
André Martins da Costa Côdo, presidente de uma construtora, afirmou que a empresa em que atua, também, foi penalizada. “A produção no mercado foi muito grande. Em contrapartida, a partir do segundo semestre de 2012, verificou-se a redução da demanda, que culminou na estabilização dos preços e na retração do mercado”, identificou o empresário. Para ele, quem vende um imóvel particular, entretanto, tem mais dificuldades do que uma construtora. “Os imóveis de particulares já receberam a valorização do mercado. Logo, não são tão interessantes para o mercado consumidor”, concluiu André Martins.
