Uma das pessoas mais brilhantes que conheci contou uma história pessoal que fez muito sentido para mim. Na empresa em que trabalhava, havia uma função na qual ele não conseguia performar bem, apesar de esperarem bons resultados dele.
Ele era muito eficiente em outras áreas, a empresa o reconhecia pela competência, mas, nesta função específica, ele não tinha sucesso. Frustrado, compartilhou seu sentimento com um amigo, que lhe disse: “Precisamos aprender o que sabemos e o que não sabemos, além de explorarmos melhor as áreas nas quais somos produtivos. Quando eu sei que não sei, não dói!”
Outro jovem profissional teve carreira meteórica numa multinacional. Um dia, a empresa o colocou sob a coordenação de outro departamento. Ele deixou de ser da equipe comercial para exercer uma função burocrática. Foi um fracasso! Ele estava na empresa há mais de seis anos, foi mal avaliado e demitido.
Recentemente, assisti a um documentário no qual as pessoas tiveram que traçar o plano de ação de uma operação de guerra muito sensível. Não havia margem para erro, mas, apesar de não terem ainda uma convicção clara, precisavam agir. Na análise tensa do cenário, fizeram algumas perguntas interessantes:
O que sabemos?
O que não sabemos?
Com base nas respostas, o que devemos fazer?
Outras questões e desdobramentos do plano de ação vieram em seguida, como algumas perguntas que precisavam ser avaliadas. Dentre elas, uma em especial me chamou a atenção: “O que a gente acha que sabe e que a gente sabe que não sabe?”
Essas perguntas são o alicerce de uma liderança sólida. É um exercício de honestidade intelectual e de estratégia aplicada.
O que sabemos é o chão da realidade, representa nosso capital de informações e é nossa ilha de segurança. O que sabemos é o conjunto de fatos, experiências e habilidades que nos permite operar sem entrar em colapso, além de nos fornecer previsibilidade.
Em contrapartida, o que não sabemos é o espaço da prudência e vigilância. Se saber nos dá autoridade, não saber nos concede humildade e evita riscos desnecessários. O que “não sabemos que não sabemos” são nossos pontos cegos e causa dos maiores erros humanos, pois agimos com base em pressupostos falsos que sequer questionamos.
O “não saber” não é um sinal de fraqueza, mas o espaço onde a possibilidade reside. Já a sabedoria não é apenas o acúmulo do saber, mas a gestão inteligente da ignorância. Quem sabe que não sabe lida com mais prudência em relação às grandes questões ainda desconhecidas e busca respostas sábias. Não foi por acado que Sócrates afirmou: “Quanto mais sei, mais sei que nada sei.”
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