Uma em cada três mulheres viveu alguma situação de violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses. Mas apenas 4% declararam espontaneamente ter sofrido violência
A violência doméstica e familiar continua sendo uma preocupação para mulheres em Goiás e em todo o país. Pesquisa Nacional realizada pelo Observatório da Mulher contra a Violência, mostra que uma parcela significativa das brasileiras vive situações de agressão sem necessariamente reconhecer que está sendo vítima.
O levantamento de 2025 ouviu 21.641 mulheres com 16 anos ou mais, entre maio e julho, em todos os estados e no Distrito Federal. No Brasil, 34% relataram ter vivido, nos 12 meses anteriores, pelo menos uma das situações de violência investigadas. Entretanto, apenas 4% declararam espontaneamente ter sofrido violência doméstica ou familiar no período.
Em Goiás, a edição anterior da pesquisa, realizada em 2023, já havia mostrado um cenário preocupante: 30% das mulheres entrevistadas afirmaram ter sofrido algum tipo de violência doméstica ou familiar provocada por um homem ao longo da vida.
Violência nem sempre reconhecida
Um dos principais alertas da pesquisa mais recente é justamente a diferença entre a violência vivida e aquela que a própria mulher identifica como violência. Muitas relatam insultos, humilhações, ameaças, agressões físicas, psicológicas, patrimoniais ou sexuais, mas não necessariamente classificam essas situações dessa maneira.
Para o Observatório da Mulher contra a Violência, reconhecer a agressão é um passo importante para que a vítima procure ajuda e tenha acesso aos mecanismos de proteção.
No levantamento nacional, 79% das entrevistadas disseram acreditar que a violência doméstica e familiar aumentou nos últimos 12 meses. O estudo também mostra que o problema frequentemente ocorre dentro de relacionamentos afetivos. Em 62% dos casos, o agressor é marido ou companheiro da vítima.
Em Goiás, o enfrentamento da violência contra a mulher também tem recebido novas medidas. Em 2025, o Estado instituiu salas humanizadas nas Centrais Gerais de Flagrantes e Pronto Atendimento ao Cidadão da Polícia Civil, funcionando como extensões das Delegacias Especializadas no Atendimento à Mulher (DEAMs). A proposta é ampliar o atendimento especializado e evitar a revitimização.
Também em 2025, uma alteração na legislação estadual passou a reforçar ações de prevenção nas escolas, incluindo a formação de uma nova consciência entre estudantes e a criação de uma rede de proteção e apoio para meninas e mulheres.
A pesquisa do DataSenado, que completa duas décadas, mostra que informação continua sendo uma ferramenta essencial. No cenário nacional, 78% das mulheres afirmam conhecer pouco ou nada sobre a Lei Maria da Penha.
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