Casos recentes registrados revelam os desafios das mulheres em geral e, também, daquelas que ocupam posição de liderança
Pesquisa do DataFolha, realizada em abril de 2026, respondida por 875 mulheres com 16 anos ou mais, revela que 74% relatam ter vivido ao menos uma situação de violência de gênero ao longo da vida. São insultos, xingamentos, agressão física, perseguição ou intimidação. Dados do DataSenado mostram que 1.470 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil em 2025.
Segundo a Confederação Nacional dos Municípios (CNM), a violência política de gênero registrou 558 casos em pleitos eleitorais recentes. Entre prefeitas e vices, mais de 60% relatam sofrer algum tipo de agressão durante as eleições ou mandatos. Em cargos federais e estaduais, 44% relatam discriminação, enquanto nas Câmaras Municipais o índice é de 32%.
A violência política de gênero é qualquer ação, conduta ou omissão que visa impedir, obstaculizar ou restringir os direitos políticos das mulheres. É crime, tipificado pela Lei nº 14.192/2021. É caracterizada por ameaças, assédio, violência psicológica ou física, e mesmo a fraude à cota de gênero.
A prática de violência política de gênero, normalmente, vem equivocadamente justificada por fatores político-administrativos e até camuflados em casos de improbidade pouco sustentáveis sob o aspecto legal. A manutenção de privilégios ao monopólio masculino, o preconceito estrutural, a violência simbólica e a reação ao avanço feminino.
Em grande parte dos casos, a liderança feminina é alvo de resistência de homens e, pasmem, até de outras mulheres. Esse grupo não aceita obedecer aos comandos de uma mulher, ou mesmo aceitar a independência que conquistou, seja social, econômica ou familiar.
Essas situações se sucedem a cada dia, diante dos nossos olhos. Muitas vezes não percebemos. Outras, ignoramos. Durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff em 2016, por exemplo, ela foi cassada por crime de responsabilidade ao editar decretos de crédito sem autorização do Congresso e por atrasos em repasses a bancos públicos. Organizações como a ONU Mulheres condenaram a violência sexista e o assédio moral e político sofridos pela ex-presidente.
Está no centro do debate político nacional a denúncia da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Em um vídeo publicado nas redes sociais disse que foi alvo de “desrespeito” e “humilhações” por parte do senador Flávio Bolsonaro, filho de seu marido e pré-candidato a presidente da República.
Esta semana a deputada federal Adriana Accorsi denunciou sofrer resistência e assédio político dentro do próprio partido (PT) em Goiás. A parlamentar afirmou que “um grupo de colegas homens” não aceita sua liderança feminina e tenta coibir seu espaço político. Ela estaria sendo pressionada a assumir candidatura ao governo de Goiás, mas já se decidiu pela reeleição à Câmara Federal.
Para falar de sua condição, Accorsi citou o caso da colega de partido Marília Campos, psicóloga, prefeita de Contagem (MG) por quatro mandatos. Marília anunciou pré-candidatura ao Senado, mas é pressionada internamente no partido para se candidatar ao governo do Estado.
Numa sociedade machista, afetada pela violência de gênero estrutural, é fundamental que todos [homens e mulheres] se unam para que a sociedade reconheça o problema e deixe de normalizar ataques às mulheres em geral, incluindo as que ocupam posição de liderança.
Junte-se aos grupos de WhatsApp do Portal CONTEXTO e fique por dentro das principais notícias de Anápolis e região. Clique aqui.
