Os partidos políticos ocupam posição intermediária nas pesquisas que apuram a confiança dos eleitores. Uma pesquisa Genial Quaest, publicada em setembro de 2026, mostrou que os partidos ocupam a parte debaixo da tabela quando o assunto é credibilidade das instituições. O Congresso Nacional também está mal na fita.
É nesse clima que o presidente da Câmara Federal, Hugo Mota, reascende o debate sobre a implantação do voto distrital misto no Brasil. A regra atual é a votação proporcional, tem-se uma bancada com um número determinado de vagas. Apura-se quantos votos cada partido teve e são atribuídas cadeiras a esses partidos proporcionalmente aos seus votos (quociente eleitoral). Em cada legenda partidária, serão eleitos os candidatos mais votados até que se preencha o número de cadeiras obtidas.
Já no distrital misto, o eleitor vota duas vezes: parte dos deputados é eleita pelo distrito e parte em um segundo voto, feito no partido, a partir de uma lista controlada pelo próprio partido.
O médico e analista político Elias Hanna disse esta semana à Rádio Manchester FM que o voto distrital misto gera proximidade entre eleitor e candidato, e diminui o impacto do poder econômico. Segundo ele, a desvantagem é o poder “nas mãos dos grandes caciques políticos, pessoas que já dominam o partido podem perpetuar os caciques na legenda”. Falou também sobre a possibilidade de diminuir a representação das minorias. E defendeu que a proposta seja melhor discutida.

O advogado Ceser Donizete entende que a eleição para deputado federal já é realizada no formato de voto distrital, já que cada estado elege um determinado número de representantes. No caso de Goiás, 17. O voto proporcional, disse, é a garantia da participação mais ampla dos setores e a representação dos partidos que têm menos votos. No voto distrital misto, afirma, um partido que obtenha 40% dos votos ocupe quase todas as vagas, gerando distorção.
O escritor, professor, pesquisador e sociólogo Edergênio Negreiros Vieira, disse que vê “com bons olhos” a proposta do voto distrital misto. Mas entende que o país precisa de uma reforma eleitoral ampla. Vê o sistema como mais representativo “das contradições que existem no nosso povo”. Pondera que esse debate não seja feito “a toque de caixa” e que a sociedade seja chamada a participar das discussões.
O advogado Matheus Carvalho classifica a decisão de se buscar rapidamente a mudança do sistema de voto como precipitada e perigosa. E defende debate profundo sobre temas relevantes. “Quem define os nomes nas listas, aberta ou fechada, as cúpulas dos partidos decidem? Qual o risco disso? Quem desenha os distritos?”, indaga. Segundo ele, o sistema atual tem defeitos, “mas as regras não podem ser feitas às pressas, não se pode tornar o voto um cheque em branco”.
O historiador e pesquisador Juscelino Polonial (Instituto de Geografia e História de Anápolis) entende que o voto distrital misto é “mais avançado”. Entende que esse sistema daria possibilidades de algumas regiões terem representatividade. Lembrou que, em Goiás, as regiões norte e leste não têm representantes entre os 17 deputados federais eleitos no estado. E que o distrital misto corrige essa situação. “Por princípio, sou favorável”, disse.
A advogada eleitoralista Thatielly Alencar vê o voto distrital misto com “ressalvas”. Segundo ela há coisas positivas, mas também vulnerabilidades. Cita a questão da divisão das regiões: como será? Thatielly comenta ainda sobre o fato do eleitor poder votar em candidatos apenas de seu distrito e sobre a metade das cadeiras serem preenchidas conforme entendimento dos partidos, por meio de listas fechadas de nomes. Vê risco de que seja eleito político que não teve votos diretos suficientes.
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