Espetáculo na Estação Ferroviária homenageia vozes negras que moldaram a música e a identidade brasileira
Neste sábado, 25 de julho, Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, Anápolis transforma a Estação Ferroviária em palco de memória e resistência. Às 16h00, a cantora, professora e ativista cultural Loide Oliveira apresenta o espetáculo gratuito “Loide Canta Mulheres Negras”. A proposta é simples: usar a música para falar de identidade, pertencimento e protagonismo, pilares que sustentam o trabalho da artista nas salas de aula da rede pública.
O repertório costura gerações. Traz releituras de canções eternizadas por Elza Soares, Leci Brandão e outras artistas que abriram caminhos na música brasileira. Também inclui obras de compositores que exaltam a força feminina, ampliando o diálogo sobre respeito e igualdade. Quem assina os arranjos é o Pop Fun Jazz Trio, grupo goiano que mistura jazz, MPB e instrumental contemporâneo, dando novas cores às canções sem perder a raiz.

Música que educa
Para Loide, cantar é educar. “Em sala de aula percebi que a arte abre caminhos para discutir identidade de forma sensível. Num país onde a violência contra mulheres negras ainda é realidade, cantar essas histórias é resistência, reconhecimento e esperança”, diz. O show nasce do projeto “Trilhas de Resistência”, inspirado na Lei nº 10.639/2003, que tornou obrigatório o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira nas escolas. A ideia é usar o palco como extensão da sala de aula, promovendo uma cultura antirracista por meio da arte.

Cultura na estação
A escolha da data reforça o compromisso. O 25 de julho também celebra, no Brasil, o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra, ampliando o debate sobre representatividade e justiça social. Contemplado pelo Fundo de Fomento à Cultura – Tradição e Território: Goiás de Todos Nós, do Governo de Goiás, o espetáculo fortalece a circulação da produção goiana e garante acesso gratuito à população.
A Estação Ferroviária, ao lado do Terminal Urbano, recebe o público sem ingresso. A entrada é livre. Em tempos de revisão de narrativas, Anápolis abre espaço para vozes que transformaram não só a música, mas a forma como o país enxerga a si mesmo.

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