
Fui criado em casa onde nunca faltou o arroz com feijão diário na mesa. Não posso reclamar. Por isto interessei-me pelo assunto deste artigo. Afinal, por que o consumo destes dois alimentos que se complementam, tem diminuído em nosso país, sabendo que por gerações, essa combinação alimentou crianças, trabalhadores, estudantes, atletas, empresários e famílias inteiras e a ciência moderna confirmou aquilo que a sabedoria popular já conhecia há muito tempo: arroz com feijão é uma das combinações alimentares mais completas e equilibradas que existe.
Sim, o arroz fornece energia de qualidade por meio de seus carboidratos. O feijão oferece proteínas, fibras, ferro, magnésio, potássio e vitaminas essenciais ao organismo. Juntos, formam uma proteína de elevado valor biológico, graças à complementaridade de seus aminoácidos. Em outras palavras, um completa o outro de forma plena. Mas seus benefícios não param aí. Trata-se de uma refeição naturalmente pobre em gorduras, rica em fibras e capaz de proporcionar saciedade prolongada, que controla o peso, níveis de açúcar no sangue e da saúde intestinal.
O Guia Alimentar para a População Brasileira, reconhecido internacionalmente como uma das mais importantes referências em nutrição, continua recomendando que a base da alimentação seja formada por alimentos in natura ou minimamente processados. E poucos exemplos representam melhor essa orientação do que o tradicional prato de arroz com feijão. Há ainda um aspecto social que merece destaque. O arroz com feijão é democrático. Está presente na mesa dos mais simples e dos mais abastados. É uma herança gastronômica que ajudou a construir o Brasil e sustentou milhões de brasileiros ao longo da nossa história.
Com certeza, o maior erro das últimas décadas tenha sido associar simplicidade a inferioridade quando se sabe que nem tudo o que é moderno é melhor. Nem tudo o que custa mais é mais saudável. O arroz com feijão não é apenas uma tradição nacional. É uma verdadeira lição de equilíbrio nutricional, acessibilidade e bom senso alimentar. Sim, essa dupla continua oferecendo aquilo que realmente importa: energia, saúde, qualidade de vida e nutrição de excelência. Se existe uma superalimentação genuinamente brasileira, ela já está servida no nosso prato há muito tempo: arroz com feijão.
Acredito que por modismo e praticidade, o consumo de arroz e feijão vem diminuindo nas últimas décadas no Brasil (24% nos últimos 25 anos, segundo pesquisas da Embrapa) e crescendo o consumo de alimentos ultraprocessados e industrializados, promovidos por campanhas publicitárias milionárias. O resultado dessa troca é conhecido: aumento dos índices de obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares e outros problemas relacionados à má alimentação.
Claro, não sou nutrólogo ou nutricionista, porém posso, por experiência, convidar o leitor para este banquete sem máscaras, simples mas nutritivo: arroz com feijão, a comida dos deuses!. De preferência, com temperos à moda goiana.
Bom apetite, leitores!
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