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Boto-do-Araguaia: Pesquisa da UniEVANGÉLICA é reconhecida pelo Fundo Mundial para a Natureza – WWF-Brasil

de Felipe Homsi
10 de setembro de 2026
em UniEVANGÉLICA
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Operação resgata botos-do-Araguaia ameaçados pela seca

Operação resgata botos-do-Araguaia ameaçados pela seca

A Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA) foi destaque em matéria publicada pelo WWF-Brasil sobre uma operação emergencial de resgate de botos-do-Araguaia (Inia araguaiaensis) isolados pela redução extrema do nível do rio Urubu, em Lagoa da Confusão, no Tocantins

A ação mobilizou especialistas e instituições de diferentes áreas para avaliar as condições dos animais, realizar o resgate dos indivíduos em situação mais crítica e estabelecer um plano integrado de monitoramento. A UniEVANGÉLICA integra a rede de instituições envolvidas com a pesquisa e a conservação do boto-do-Araguaia, espécie endêmica da bacia dos rios Tocantins e Araguaia.

Na operação relatada pelo WWF-Brasil, a universidade esteve entre os parceiros mobilizados ao lado do próprio WWF-Brasil, da R3 Animal, da National Marine Mammal Foundation, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), do BIOMA, da Fazenda Goiás, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Lagoa da Confusão, do Naturatins e da Defesa Civil, além de especialistas vinculados ao Task Force de Emergências para Botos e à South American River Dolphin Initiative (SARDI).

A reportagem do WWF-Brasil relata que seis botos foram identificados em diferentes áreas do rio Urubu, que teve seu curso fragmentado em razão da redução extrema do volume de água. Dois animais que apresentavam condições mais críticas foram capturados por veterinários, avaliados e translocados para um trecho de maior profundidade e com disponibilidade de alimento. O monitoramento dos animais permanece sendo realizado de forma integrada pelas instituições envolvidas.

Pesquisa e conservação

A participação da UniEVANGÉLICA nessa frente de conservação está diretamente relacionada ao trabalho da Prof.ª Dr.ª Cristiane Gonçalves de Moraes, professora da instituição desde 2007. Cristiane atua nos cursos de Ciências Biológicas e Medicina Veterinária e no Programa de Pós-Graduação em Sociedade, Tecnologia e Meio Ambiente (PPGSTMA), além de ser pesquisadora vinculada ao Laboratório de História Ambiental do Cerrado (LAHAC).

Prof.ª Cristiane Gonçalves de Moraes desenvolve pesquisa voltada à conservação dos golfinhos de rios e seus habitats, naturais com, foco na bacia Tocantins-Araguaia

Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Goiás (UFG), mestre em Ciência e Tecnologia Ambiental pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e doutora em Recursos Naturais do Cerrado pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), a professora desenvolve pesquisas voltadas à conservação dos golfinhos de rio e de seus habitats naturais, com foco na bacia Tocantins-Araguaia.

Cristiane integra iniciativas internacionais como a South American River Dolphins Initiative (SARDI/WWF) e a Tropical Water Research Alliance (TWRA) e é coordenadora científica da REBOTO – Rede para Conservação do Boto-do-Araguaia, articulação voltada à conservação da espécie em sua área de distribuição.

Seu trabalho está concentrado na ampliação do conhecimento científico sobre o Inia araguaiaensis e na construção de estratégias para a conservação da biodiversidade da bacia Tocantins-Araguaia. A atuação envolve pesquisa de campo, produção de conhecimento científico, educação ambiental e articulação entre universidades, órgãos públicos, organizações não governamentais e comunidades.

Segundo o Pró-reitor de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Ação Comunitária, Sandro Dutra e Silva, a parceria entre a UniEVANGÉLICA e o WWF-Brasil, impulsionada pelas investigações conduzidas pela professora Cristiane, alinha-se intrinsecamente à missão da Universidade, sobretudo no fomento a pesquisas capazes de promover uma transformação social efetiva.

Ele destaca: “Essa sinergia transcende as urgências inerentes ao rio Araguaia, inestimável patrimônio ambiental e cultural de Goiás e do Brasil, para abraçar, de forma ampla, a biodiversidade do bioma Cerrado. Sob essa ótica, a Instituição reitera seu compromisso irrevogável com a conservação e a salvaguarda desse patrimônio ecossistêmico ameaçado”.

Uma espécie exclusiva da bacia Tocantins-Araguaia

O boto-do-Araguaia é reconhecido pelos órgãos ambientais brasileiros como uma espécie própria, distinta dos botos encontrados na bacia Amazônica. A classificação de Inia araguaiaensis como espécie foi proposta por pesquisadores em 2014, a partir de diferenças identificadas nas populações de botos dos rios Araguaia e Tocantins. A própria cartilha Os Botos do Araguaia – Um mergulho nas águas da bacia Tocantins-Araguaia, produzida com participação da UniEVANGÉLICA, apresenta esse processo científico e as características da espécie.

O material também destaca que o boto-do-Araguaia é classificado como vulnerável à extinção pela legislação ambiental brasileira. Entre as ameaças estão a destruição e a poluição dos ambientes, a diminuição da disponibilidade de peixes, a captura incidental, o tráfego de embarcações e a construção de hidrelétricas. 

Nesse contexto, conhecer a espécie e acompanhar suas populações é fundamental para orientar ações de conservação. A cartilha registra que expedições realizadas nos rios Araguaia e Tocantins tiveram como objetivos estimar o número de animais e identificar as principais ameaças ao longo dos cursos dos rios. O acompanhamento das populações ao longo dos anos permite verificar se elas estão aumentando, estáveis ou diminuindo.

Conhecimento científico que chega às escolas

Além da pesquisa de campo, a atuação da UniEVANGÉLICA no projeto também se estende à educação ambiental. A universidade participou da produção da cartilha Os Botos do Araguaia, publicada pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), em parceria com pesquisadores e instituições que atuam na conservação da espécie.

A publicação apresenta informações científicas sobre anatomia, comportamento, alimentação, reprodução, ecolocalização, distribuição e ameaças ao boto-do-Araguaia em uma linguagem acessível, acompanhada de ilustrações e registros de campo. Na ficha técnica, a Prof.ª Dr.ª Cristiane Gonçalves de Moraes aparece entre as autoras da obra. 

O próprio material evidencia a importância da cooperação entre diferentes setores para a conservação. As expedições são apresentadas como resultado de uma parceria que reúne o WWF-Brasil, pesquisadores da SARDI, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Goiás (SEMAD-GO), a Universidade Evangélica de Goiás, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e o Instituto Aqualie.

A publicação reforça, ainda, que a produção de conhecimento é essencial para o desenvolvimento de estratégias de conservação e depende da participação conjunta de comunidades locais, universidades, organizações não governamentais e instituições governamentais.

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