Fruto original do cerrado, até então, consumido quase que domesticamente, ganha espaço no mercado e força entidade do setor a melhorarem sua produtividade
Em agosto de 2023, o deputado estadual Gugu Nader (PSDB) apresentou o projeto que criou, em Goiás, o Dia Estadual do Pequi, agora lei, sancionada pelo, então, governador Ronaldo Caiado, que estabeleceu a comemoração no dia 23 de outubro e que passou a constar no Calendário Cívico, Cultural e Turístico goiano. A alegação foi de que o pequi é considerado a estrela da culinária de Goiás. O objetivo da celebração é conscientizar a população sobre a relevância desse fruto único e promover seu reconhecimento e valorização em todo o Estado. Também, neste mês de outubro, o Legislativo Goiano aprovou a concessão do título simbólico de Capital Goiana do Pequi ao município de Crixás, no Vale do Araguaia, Norte do Estado. O projeto de lei é de autoria do deputado Wagner Camargo Neto (SD). De todos os frutos nativos do Cerrado, o pequi é o mais consumido e comercializado e, também, o melhor estudado nos aspectos nutricional, ecológico e econômico.
Em Goiás e em outras regiões do Cerrado Brasileiro, como o Norte de Minas Gerais, o pequi é de grande importância para as populações agroextrativistas e para as economias locais. Alguns catadores e comerciantes de pequi chegam a obter até 80% de sua renda anual na cadeia produtiva do fruto. O pequi é muito versátil, utilizado na culinária regional como tempero, em conserva e como matéria-prima. Sua polpa tem o dobro de vitamina C de uma laranja e é rico também em vitaminas A, E e em carotenoides, ou, colorações. Tais fatores tornam o fruto um aliado no combate ao envelhecimento e na prevenção às doenças associadas à visão. Além disso, sua amêndoa é utilizada na fabricação de um rico óleo que possui ação antiinflamatória, cicatrizante e gastroprotetora.
Atividade econômica
Tradicional nas populações do Cerrado e de estados como Mato Grosso, a coleta do pequi ganhou dimensão comercial, com presença em restaurantes e bares. Entretanto, a expansão agropecuária, com pastagens e monoculturas de soja e cana-de-açúcar, ameaça o fruto ao provocar a derrubada de pequizeiros nativos. O cultivo agrícola surge como alternativa para preservar a espécie e manter a atividade econômica.
Com o aumento do consumo, instituições brasileiras pesquisam o melhoramento genético para transformar o extrativismo em produção profissional e de maior rendimento. Em Goiás, a Emater desenvolve estudos há mais de 30 anos. Na Estação Experimental de Porangatu, clones de pequi com e sem espinhos produziram os primeiros frutos cerca de três anos e meio após o plantio.

Desdobramentos
O uso de clones permite reproduzir características desejáveis e reduzir o tempo até a frutificação. No cultivo por sementes, a produção pode demorar até 20 anos, além de apresentar maior variabilidade nas características dos frutos.
A Emater Goiás mantém o maior banco de germoplasma de pequi do mundo, com mais de 1.600 pequizeiros e centenas de variedades identificadas na natureza. Em parceria com a Embrapa Cerrados, lançou, em 2022, seis variedades: três com espinhos e três sem. A seleção amplia as opções de cultivo e permite produzir mudas com características conhecidas, atendendo às diferentes necessidades dos produtores rurais.
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