Fraudes digitais atingem 34% dos internautas no Brasil
As tentativas de fraude relacionadas ao futebol e à Copa do Mundo cresceram de forma expressiva no período que antecede o Mundial de 2026. Um levantamento da NordVPN aponta que 34% dos brasileiros que usam internet relataram contato com golpes ligados ao tema em 2024 e 2025, quase o dobro dos 19% registrados antes da Copa de 2022.
Golpes digitais
O avanço ocorre em meio à maior sofisticação dos ataques digitais, impulsionados pelo uso de inteligência artificial generativa. A tecnologia reduziu o tempo necessário para a criação de páginas falsas e campanhas fraudulentas, o que ampliou o alcance dos golpes.
Além disso, nos últimos três meses, as reclamações relacionadas à Copa do Mundo cresceram de forma significativa, chegando a multiplicar-se por oito.
Entre os principais indicadores estão:
34% dos internautas tiveram contato com golpes ligados ao futebol em 2024 e 2025;
19% relataram situações semelhantes no ciclo da Copa de 2022;
238 reclamações foram registradas pelo Procon-SP entre março e maio de 2026;
As queixas saltaram de 19 em março para 63 em abril e 156 em maio.
A principal diferença entre os ciclos de 2022 e 2026 está na velocidade de execução dos crimes. Enquanto antes os golpes exigiam mais tempo e conhecimento técnico, agora podem ser produzidos em poucas horas com o apoio de ferramentas de inteligência artificial.
“Hoje, com ferramentas de inteligência artificial generativa acessíveis a qualquer pessoa, esse ciclo caiu para poucas horas”, afirmou Marcelo Souza, vice-presidente de Produto da Certta, empresa especializada em soluções antifraude.
Além da velocidade, os golpes também se tornaram mais personalizados. Em vez de campanhas genéricas, criminosos utilizam dados vazados, como CPF, e-mail e histórico de compras, para direcionar abordagens às vítimas.
Segundo especialistas, a evolução da IA também dificulta a distinção entre conteúdos reais e falsos.
“Imagens, vídeos e documentos já não são sinônimo de verdade na internet, isso gera uma crise de confiança digital”, disse Souza.
Ele também alerta para a necessidade de maior adaptação das empresas diante da rapidez das fraudes.
“Se os cibercriminosos alteram suas táticas em questão de horas, por que muitas companhias ainda levam semanas ou meses para atualizar regras de prevenção?”, questionou.
Meios digitais
Outra mudança importante ocorre nos meios de pagamento. Em 2022, cartões e boletos ainda eram predominantes. Já em 2026, o Pix se tornou o principal instrumento utilizado em fraudes.
Segundo Marcelo Souza, a característica instantânea das transferências dificulta a recuperação dos valores após o golpe.
“O Pix também muda a equação de forma bastante concreta. A instantaneidade e a irreversibilidade da transação eliminam a janela de reação”, explicou.
Os criminosos também passaram a criar marcas falsas que se apresentam como parceiras oficiais de eventos esportivos. Além disso, infiltram-se em grupos de colecionadores e torcedores para ganhar confiança antes de aplicar os golpes.
De acordo com o levantamento da NordVPN, as redes sociais continuam sendo a principal porta de entrada para fraudes relacionadas à Copa.
Os canais mais utilizados são:
Instagram: 51%;
WhatsApp: 48%;
Facebook: 35%;
TikTok: 26%.
Entre as práticas mais comuns estão apostas ilegais, venda de ingressos falsos e comercialização de produtos falsificados.
Mercado físico
As fraudes não se restringem ao ambiente digital. O Procon também identificou irregularidades no comércio físico e em marketplaces.
Entre março e maio de 2026, foram registradas:
115 casos de não entrega ou atraso;
34 casos de oferta não cumprida ou venda enganosa;
24 casos de produtos incompletos ou diferentes do anunciado.
As reclamações envolvendo figurinhas e álbuns da Copa também cresceram rapidamente, passando de zero em março para 34 em abril e 109 em maio. A maior parte dos casos envolve anúncios enganosos e falsificações em plataformas digitais e grupos de mensagens.
O Procon divulgou recomendações para evitar golpes:
Pesquisar a reputação da loja ou vendedor;
Desconfiar de ofertas muito abaixo do mercado;
Verificar CNPJ, endereço e canais de atendimento;
Guardar comprovantes e conversas;
Conferir prazo de entrega e política de troca;
Confirmar se produtos colecionáveis são oficiais;
Registrar reclamações em órgãos de defesa do consumidor.
Especialistas também recomendam atenção redobrada em compras online:
Evitar ofertas com urgência artificial e preços irreais;
Checar se o CNPJ é compatível com atividade de varejo;
Verificar a data de criação do domínio (sites muito recentes são suspeitos);
Evitar sites que aceitam apenas Pix, sem outras formas de pagamento.
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