A varejista enfrenta uma das maiores crises financeiras de sua história
O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial no domingo (16), após registrar prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026. O resultado foi 18 vezes maior que a perda registrada no mesmo período do ano passado.
O pedido foi protocolado na Justiça de São Paulo e envolve a companhia e outras nove empresas do grupo. A medida ocorre em meio à deterioração das condições financeiras da varejista, que também anunciou o fechamento de 298 lojas.
Segundo a empresa, o cenário foi agravado por juros elevados, restrição de crédito, aumento dos custos financeiros e pressão sobre o consumo e o capital de giro. Além disso, alternativas de liquidez que estavam sendo estruturadas não se concretizaram.
Pedido judicial
O pedido de recuperação judicial foi aprovado pelo conselho de administração e pelo acionista controlador antes do protocolo no Tribunal de Justiça de São Paulo. Em seguida, a companhia também convocou uma Assembleia Geral Extraordinária, em caráter de urgência, para ratificar a decisão.
A recuperação judicial envolve as seguintes empresas do grupo:
- ASAP Log – Logística e Soluções Ltda;
- ASAP Log Ltda;
- CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística Ltda;
- Cntlog Express Logística e Transporte Ltda;
- Globex Administração e Serviços Ltda;
- Cnova Comércio Eletrônico S.A.;
- Integra Soluções para Varejo Digital Ltda;
- Casas Bahia Tecnologia Ltda;
- Indústria de Móveis Bartira Ltda.
Além disso, o grupo declarou R$ 17,3 bilhões em dívidas que pretende renegociar por meio do processo. A maior parte do passivo, cerca de R$ 16,4 bilhões, está concentrada em credores quirografários.
Prejuízo bilionário
Embora o prejuízo tenha alcançado R$ 10,1 bilhões, parte significativa do resultado veio de efeitos contábeis não recorrentes. Segundo informações divulgadas pela companhia, esses efeitos somaram cerca de R$ 9,1 bilhões e não representaram impacto imediato no caixa. Sem esses ajustes, o prejuízo ajustado ficou em R$ 978 milhões.
A empresa também informou o fechamento de 298 lojas, como parte do processo de redimensionamento da operação. O grupo busca, com a recuperação judicial, reorganizar suas obrigações financeiras e preservar a continuidade das atividades.
Histórico da crise
A crise da empresa começou a apresentar sinais mais claros no terceiro trimestre de 2022. Naquele período, a companhia registrou os primeiros prejuízos e começou a encerrar lojas. Os resultados negativos ocorreram após os impactos provocados pela pandemia da Covid-19.
Desde 2021, a empresa já falava em crescimento sustentável diante do cenário de alta dos juros registrado no fim daquele ano. Em 2023, a companhia anunciou seu Plano de Transformação, com previsão de crescimento em 2025.
Após oito meses, entretanto, houve o primeiro anúncio de pedido de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas estimadas em R$ 4,1 bilhões.
Esse processo é diferente da recuperação judicial. Na recuperação extrajudicial, a renegociação ocorre com os principais credores e, posteriormente, passa pela homologação do Judiciário.
Em abril de 2024, inclusive, houve a suspensão das execuções movidas por credores por 180 dias. No ano de 2025, o grupo reduziu parte de sua dívida. Contudo, no primeiro semestre deste ano, a situação voltou a piorar.
Agora, com o pedido de recuperação judicial, o Grupo Casas Bahia busca reorganizar suas dívidas e manter as operações em meio ao agravamento da crise financeira.
