A liberação, cm alvará falsificados, de dois traficantes da mais alta periculosidade no Rio de Janeiro (João Filipe Barbieri e João Victor Roza), ocorrida m outubro do ano passado, mas, só divulgada esta semana, coloca em cheque a lisura e a confiabilidade do Judiciário, não só do Rio, mas, como de resto, de todo o País.
Dentro da tese popular d que “onde passa um boi, passa uma boiada”, ninguém garante que foram só estes os casos e que não teria sido somente no Rio de Janeiro que tal anomalia ocorreu e, quem sabe, ainda ocorre aqui e alhures. É uma feriada aberta no Judiciário Nacional que precisa ser tratada a tempo. Uma sangria que precisa ser interrompida, sob pena de se jogar por terra toda a credibilidade do Poder.
E, o fato divulgado recentemente, não foi o primeiro. O mesmo nome falso usado para ajudar a dois traficantes de armas a fugir da cadeia pela porta da frente também aparece na fraude que libertou uma sequestradora, em novembro do ano passado. Gilmara Monique de Oliveira Amorim, condenada a 18 anos de prisão por integrar uma quadrilha acusada de sequestrar gerentes e seus parentes próximos para roubar bancos, conseguiu sair pela porta da frente do Instituto Penal “Ismael Sirieiro”, em Niterói, após usar a mesma estratégia que funcionou para os também condenados João Filipe Barbieri e João Victor Roza mais recentemente. Nos três casos, os fraudadores usaram o nome de um oficial de Justiça que não existe, José O. P. Pacassi, para entrar em contato com os presídios e encaminharem os alvarás de soltura falsos.
Os três casos figuram entre 43 que estão sendo investigados pela Secretaria de Administração Penitenciária do Rio. O que a sociedade precisa saber é: quem mandou soltar, quem soltou e por que eles foram soltos. Mais do que isto: o que estaria por trás desta “engenharia criminosa”?
