Gostemos delas, ou não, as motocicletas há muito fazem parte do dia a dia dos brasileiros e é um caminho sem retorno. Quem ainda não se acostumou com o barulho dos escapamentos e das buzinas vai ter que se acostumar, independentemente do desconforto que isso possa causar. A “motoca” é parte ativa do cenário urbano nacional e veio para ficar. Sua utilização tem aumentado nas atividades laborais, de lazer e, principalmente, no preenchimento de uma lacuna existente na economia nacional. Atualmente, as motos ocupam uma imensa fatia do bolo produtivo, em atividades múltiplas que representam muito para a formação do PIB brasileiro.
Uma das explicações para a explosão do emprego das motos está na relação custo-benefício. O interesse de jovens e mulheres por motocicletas e a expansão das entregas por aplicativos, principalmente após a pandemia da covid, levaram à quebra de um recorde histórico. No ano passado (2025), pela primeira vez, a venda de motos superou a de carros no Brasil. Cresceram 17,1%. Foram comercializadas 2,1 milhões de motocicletas, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Motos. As vendas de automóveis, no mesmo período, foram de 1,9 milhão de unidades.
O número de motociclistas mulheres não para de crescer. Em março do ano passado, 10 milhões delas possuíam habilitação na categoria, aumento de 66% em dez anos. O público jovem também aderiu à motocicleta. Além da expansão dos serviços de entrega, o crescimento das vendas se deve à entrada de novos perfis de consumidores e à adoção da moto como segundo veículo das famílias, pela praticidade e menor custo de utilização.
Entretanto, segundo estudos oficiais, foi o boom dos aplicativos de entrega que impulsionou a venda de motos. Se em 2012 os serviços de malote e entregas reuniam 55 mil trabalhadores, em 2024 o total de entregadores que utilizam motocicletas atingiu 455.621 pessoas, aumento de 18% em relação a 2022.
Do ponto de vista social, comprar e manter uma moto sai bem mais barato do que um carro. Enquanto o custo médio mensal de manutenção de uma motocicleta é de R$ 763, esse valor sobe para R$ 2.462 para um motorista de aplicativo. Mesmo assim, o salário de quem possui carro é maior. Entre os principais gastos estão seguro, combustível, plano de dados, telefone celular e alimentação.
Em 2023, 13.477 motociclistas perderam a vida no trânsito brasileiro. Foram 12% mais mortes do que em 2013. Entre 2014 e 2024, 60% dos hospitalizados após acidentes de trânsito eram motociclistas, segundo a Associação Brasileira de Medicina do Tráfego. Em 2024, o SUS gastou R$ 257 milhões com internações de motociclistas, agravadas pela ausência dos repasses anuais do DPVAT desde 2021.
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