Estou querendo polemizar sobre um assunto que não é tratado adequadamente no país. O brasileiro médio não sabe disso…

Executivo de Operações, Administração e Marketing
Sabe aquela conta de guardanapo que a gente faz despretensiosamente e, no final, fica olhando fixamente para o teto tentando processar o resultado?
Parei para puxar os números da nossa macroeconomia e cruzar dados que raramente vemos na mesma frase.
O resultado? um raio-x desconfortável de como o Brasil funciona.
Se somarmos todo o estoque de capital financeiro no país (CDBs, fundos, Tesouro Direto, poupança, títulos corporativos), temos mais de R$ 15 trilhões aplicados.
Com a taxa básica de juros no patamar atual, esse montante gera em média cerca de 1% ao mês.
A matemática básica entrega o primeiro choque:
Cerca de R$ 150 bilhões por mês pingando rendimentos de capital.
No ano, isso dá quase R$ 1,8 trilhão.
Para colocar em perspectiva: o PIB do Brasil inteiro gira em torno de R$ 12,5 trilhões. Ou seja, a remuneração nominal do capital investido equivale a quase 15% de toda a produção e riqueza gerada pelo país em um ano.
A pergunta óbvia é: a economia real tem capacidade produtiva para pagar esse retorno?
A resposta curta: não tem.
Se você toca um negócio, seja comércio, indústria, serviços ou tecnologia, sabe exatamente o que significa suar sangue para fechar o mês no azul, gerenciar equipe, estoque, clientes e margens apertadas.
Enquanto isso, quem tem liquidez senta na cadeira, compra títulos públicos pagando IPCA + 6,5% ao ano (ou 1% ao mês sem risco operacional) e vai tomar um café. Por que correr o risco de abrir empresa, construir fábrica ou modernizar processos se o próprio Estado remunera o capital parado a taxas que quase nenhum negócio real consegue bater?
Para entender quem sustenta essa estrutura, basta olhar as outras duas pontas da corda:
A base: O Bolsa Família, que ampara cerca de 25% da população em extrema vulnerabilidade, custa por volta de R$ 160 bilhões por ano. Isso significa que o orçamento anual do maior programa social do país equivale a apenas um mês de rendimento do capital investido.
– O topo: Mais de 75% desses rendimentos financeiros vão para menos de 5% da população (alta renda e grandes patrimônios).
O resumo da ópera?
– 5% multiplicam patrimônio na tranquilidade do rentismo.
– 25% dependem de transferência de renda estatal para não passar necessidade.
– E os 70% do meio — o trabalhador assalariado e o empresário da economia real — carregam o piano.
Pagam juros estratosféricos no capital de giro e tributos pesados no consumo, gerando a receita que financia a máquina pública e rola a dívida.
A dívida pública sobe, o capital produtivo migra para a tesouraria, e a produtividade do país continua patinando.
Empreender e produzir no Brasil hoje não é apenas um desafio de gestão, é quase um ato de resistência contra a gravidade do CDI.
Não tem a menor chance desse país dar certo utilizando essa fórmula. E isso vale para esquerda e direita que estão brigando apenas pelo poder.
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