A despeito das campanhas de incentivo para que ingressem no mundo político e coloquem seus nomes à apreciação do eleitor, as mulheres brasileiras ainda são reticentes e pouco motivadas a participar. Embora sejam maioria da população, cerca de 52% contra 48% de homens, essa proporção não se traduz na efetiva participação eleitoral. Os registros de candidaturas oscilam entre 32% e 35%, dependendo da região. Para as eleições de outubro, há apenas duas mulheres concorrendo como cabeças de chapa ao Planalto, 15,4% dos 13 postulantes. Outras cinco disputam a Vice-Presidência.
Nos governos estaduais, o cenário se repete. Em 2026, as mulheres representam apenas 16,4% das candidaturas: são 32 candidatas entre 195 nomes. Sete estados têm disputas exclusivamente masculinas. No Parlamento, a evolução também é modesta. Entre deputadas federais, estaduais e distritais, a participação feminina passou de 34,1%, em 2022, para 35,3% em 2026. Para o Senado, são 69 candidaturas femininas distribuídas pelos estados, leve alta em relação aos pleitos anteriores.
Não existe uma explicação única para esse desnível. As hipóteses passam pelo preconceito, pela discriminação e pela preferência por candidaturas masculinas. O problema começa na própria estrutura partidária, onde poucas mulheres ocupam posições de comando, concentrando-se o poder de decisão sobre a composição das chapas. Mesmo com as cotas, a questão envolve também a escolha e a qualidade dos nomes apresentados.
Há, ainda, reclamações sobre a distribuição dos recursos do Fundo Partidário, supostamente mais favorável aos homens. O cenário contrasta com o avanço feminino em áreas como economia, educação, empreendedorismo, ciência, tecnologia e segurança. Na política, porém, persistem obstáculos, visíveis ou não, possivelmente sustentados por uma cultura de predominância masculina.
A Constituição estabelece a igualdade entre homens e mulheres. Como ensinou Ruy Barbosa, a pátria “não é ninguém, são todos”, cabendo a cada cidadão, independentemente de gênero, o mesmo direito à participação, à palavra e à construção do país.
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