
Apesar de uma travada que a economia recebeu nos últimos meses, principalmente com a proximidade das eleições e, claro, das incertezas que com elas sobrevêm, o número de vendas de veículos em Anápolis tem refletido a mesma realidade observada no restante do País.
Poucas pessoas entendem o quanto a venda de veículos novos movimenta a economia de uma cidade. E nem estou falando somente do lucro dos veículos — e olha que, apesar do que muitos imaginam, não é tanto assim. O grande impacto está, principalmente, na quantidade de pessoas envolvidas em todo o processo.
Uma concessionária normalmente possui gerente, tesoureiro, vendedores de carros novos, avaliador e vendedor de usados, pessoal responsável pela limpeza, vendedor de acessórios, equipe administrativa, lavador, funilaria, pintura, consultores técnicos e uma grande quantidade de profissionais envolvidos no setor de peças e manutenção.
Isso sem contar financiamento, seguros, despachantes, transporte, publicidade e tantos outros serviços que fazem parte dessa enorme cadeia.
Todo esse pessoal, mesmo que não more na cidade, movimenta a economia de alguma maneira. São salários, compras, serviços, impostos e consumo. É dinheiro circulando.
E esse é justamente o motivo pelo qual pessoas que acompanham o setor automotivo há muitos anos, como eu, ficam tão animadas com a chegada de uma nova marca a uma cidade. Uma nova concessionária não significa apenas mais uma loja. Significa investimentos, empregos, serviços e mais dinheiro circulando na economia local.
Vamos usar nosso último mês de vendas como exemplo: setembro de 2026.
Foram emplacados 637 veículos novos em Anápolis. Nessa conta não entram caminhões. Se considerarmos um valor médio estimado de R$ 150 mil por veículo, chegamos a aproximadamente R$ 95,5 milhões em veículos novos emplacados na cidade em apenas um mês.
É um número respeitável.
E mais importante do que o valor absoluto é observar que os emplacamentos continuam acontecendo mesmo diante de um cenário econômico que apresenta dificuldades. O consumidor continua comprando, as concessionárias continuam vendendo e as marcas continuam disputando espaço.
É claro que nem todo esse dinheiro fica em Anápolis. Há veículos faturados por outras praças, operações financeiras realizadas por instituições de fora e diversos outros fatores. Mas uma parcela significativa dessa movimentação passa pela cidade e alimenta uma cadeia que vai muito além da concessionária.
Depois que o carro sai da loja, começa outra história: combustível ou energia, seguro, manutenção, pneus, acessórios, revisões, impostos e uma infinidade de serviços.

Por isso, quando alguém pergunta se 637 veículos em um mês é muito ou pouco, minha resposta é simples: é preciso olhar além do número, além de um único mês. Em um ano, se mantivermos o mesmo número de média mensal serão movimentados 12 x 95,5, ou seja 1,146 Bilhões.
Mensalmente, são 637 compradores tomando uma decisão de consumo. São centenas de negócios realizados e milhares de pessoas direta ou indiretamente envolvidas.
E quando uma nova marca chega, quando uma nova concessionária abre suas portas ou quando uma loja amplia sua estrutura, não estamos falando apenas de automóveis.
Estamos falando de emprego, investimento e dinheiro circulando.
É por isso que, apesar das dificuldades e das incertezas, continuo olhando para os números do mercado automotivo de Anápolis com bastante otimismo.
Os números continuam satisfatórios. E, para a economia da cidade, isso é uma excelente notícia.
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