Provavelmente, por poucas vezes o Brasil esteve em situação político/administrativa e existencial como atualmente. Não bastassem os desacertos econômicos com vizinhos sul-americanos por questões políticas e de fronteiras, somam-se a isso os desarranjos na queda de braço com o governo dos Estados Unidos. Esse impasse tem resultado em taxas e sobretaxas que inviabilizam projetos comerciais entre as duas nações. Para completar o cenário externo, há o imbróglio recente com a União Europeia referente aos alimentos brasileiros, cuja entrada foi barrada por avaliações sanitárias, gerando perdas irreparáveis.
Contudo, o cenário interno revela o elemento mais grave: a profunda crise institucional que envolve os Três Poderes da República. A menos de um mês das eleições gerais, Judiciário, Executivo e Legislativo encontram-se em constante atrito. A Constituição Federal estabelece que esses poderes devam ser independentes e harmônicos entre si. O que se observa na prática, contudo, distancia-se do texto constitucional. Atualmente, o Executivo legisla, o Legislativo administra e o Judiciário acumula as funções de julgar, administrar e legislar, ultrapassando suas atribuições originais.
Essa configuração não surgiu subitamente; foi construída gradualmente ao longo do tempo, de modo sutil e imperceptível. Hoje, tornou-se uma realidade incontornável para milhões de brasileiros, caracterizada por um embate em que cada poder reivindica a primazia institucional. Integrantes do Supremo Tribunal Federal, corte máxima da Nação, divergem publicamente sobre temas alheios às suas atribuições formais. Cabe lembrar que a prerrogativa primordial desse órgão restringe-se ao julgamento de processos conforme a legislação vigente.
Simultaneamente, o Executivo, cuja responsabilidade principal reside na gestão administrativa e na aplicação eficiente dos recursos públicos, envolve-se em episódios de desvios e articulações políticas nocivas à coletividade. Embora a arrecadação fiscal nas esferas municipal, estadual e federal mantenha-se elevada, o endividamento público continua a crescer de forma persistente. Paralelamente, o Legislativo direciona esforços expressivos para a consolidação de emendas e verbas orçamentárias, visando à manutenção do poder, em detrimento de melhorias substanciais na qualidade de vida da população.
A aproximação do pleito eleitoral do dia quatro de outubro representa um momento decisivo para o país. Trata-se de uma oportunidade essencial para que o eleitorado exerça sua soberania por meio do voto. Através das urnas, a sociedade definirá se prefere a continuidade do atual modelo institucional ou a implementação de transformações estruturais, oportunidade que só voltará a se repetir ao término do próximo ciclo de quatro anos.
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