Anápolis perde cadeiras na Alego, mas parlamentares eleitos têm votação histórica
O ponto fora da curva, nas eleições proporcionais deste ano, é a perda de duas cadeiras de Anápolis na Alego, quando as projeções antes do pleito eram de ampliar em pelo menos uma. Entretanto, a eleição de Carol do Amiltinho (MDB), com a maior votação da história do legislativo estadual; a reeleição do deputado estadual Antônio Gomide (PT) e do deputado federal Rubens Otoni (PT) com votações expressivas, projetam uma posição de referência de Anápolis nos parlamentos goiano e federal nos próximos anos.

O deputado federal Rubens Otoni (PT) teve vitória maiúscula nas urnas. Ampliou votação e alcançou 101,9 mil votos (foram 83,5 mil em 2022). O resultado é fruto, primeiro, de seu histórico de trabalho por Goiás ao longo de dois mandatos de deputado estadual e seis mandatos consecutivos de deputado federal. Sua proximidade com o governo federal também permitiu interlocução na execução de projetos estratégicos em benefício do estado e, em especial, de Anápolis.

A deputada estadual eleita Carol do Amiltinho (MDB) bateu recorde nas urnas. Na eleição de 2022 Amilton Filho foi eleito com 46.556 votos. Agora, Carol alcançou 109.002. Tem a meta de cumprir os compromissos feitos pelo deputado Amilton Filho com municípios, prefeitos e vereadores do Estado. Está na base de apoio do prefeito Márcio Corrêa (PL) e do governador reeleito Daniel Vilela (MDB).

Antônio Gomide aumentou votação, superou a casa dos 51,7 mil votos (em 2022 foram 45,2 mil) e chega ao terceiro mandato consecutivo como deputado estadual. Além do histórico construído com quatro mandatos de vereador e dois de prefeito, Gomide amplia seu olhar para temas que abraçou nos últimos anos, como a defesa do Cerrado, da saúde pública e da Universidade Estadual de Goiás (UEG).
Tombamento da casa do Dr. Anapolino: resgate histórico

Duas vezes prefeito de Anápolis. Duas vezes deputado estadual pela cidade. Vereador (foi presidente da Câmara) e deputado federal. Fundador da Associação Médica de Anápolis e da Clínica Dom Bosco. Em 54 anos de política, foi filiado a apenas dois partidos: PSD (1954) e MDB (1966, até sua morte, em 2008).
Quase 20 anos após sua morte, a escola municipal do Calixtópolis leva seu nome, homenagem solitária feita ao Dr. Anapolino de Faria, um dos nomes mais respeitados da política e da medicina em Anápolis.
E, por isso, tem relevante significado a atitude da Prefeitura e da Câmara de Anápolis ao aprovar, nessa semana, o projeto de lei que estabelece o tombamento da casa do Dr. Anapolino, na Rua Dona Sandita, no Centro, como patrimônio histórico, arquitetônico, artístico, político e cultural do município.
Um imóvel que detém valor simbólico, cultural e arquitetônico da estrutura, cujo projeto arquitetônico fora doado a Dr. Anapolino por seu amigo, o arquiteto Oscar Niemeyer, que projetou os edifícios cívicos de Brasília. Numa época em que a memória histórica e cultural é relegada a planos inferiores, o tombamento é um alento a quem presa o legado daqueles que ajudaram a construir Anápolis.
José Fernandes: “prefeito e MDB saem gigantes dessas eleições”

O vice-presidente e líder do prefeito na Câmara, vereador José Fernandes (MDB), ao Jornalismo da Rádio Manchester FM, disse esta semana que o prefeito Márcio Corrêa (PL) e o MDB saem grandes do processo eleitoral. “Tudo o que foi construído lá atrás, se consolidou com a abertura das urnas em 2026”, afirma Fernandes.
Segundo ele, o prefeito “gabaritou”, já que todos os candidatos que apoiou no pleito se elegeram. “Ele sai gigante, com expressão estadual e nacional”, ressaltou. Disse que as ações de Márcio foram pensando “no bem coletivo” e que o prefeito é “desprovido de vaidades”.
Sobre o MDB, seu partido, José Fernandes vê grande crescimento. Ampliou de 6 para 7 cadeiras na Alego, e reelegeu o governador Daniel Vilela. “No fim, independentemente da organização partidária, o foco é servir a cidade e o estado. Se isso faz sentido, é onde o partido vai estar. E onde eu, particularmente, estarei. Tudo muito mais além da vaidade pessoal e do próprio umbigo”, concluiu.
Eleições de 2026 ampliam desidratação tucana
A cada eleição o PSDB se encolhe mais. O partido que já governou o Brasil, Goiás e que consolidou o Plano Real, não disputou a Presidência em 2026, não elegeu deputado federal em Goiás, reduziu em quase 500 mil votos na disputa pelo Senado e teve bancada na Alego cortada pela metade (de 4 para 2 cadeiras).
Em 2022 o PSDB ficou fora da disputa pelo governo de Goiás. Agora, Marconi Perillo terminou em 4º lugar, atrás de Daniel (MDB), Wilder (PL) e Luís César (PT). Há quatro anos elegeu 4 deputados estaduais e, agora, caiu para dois. Tinha uma cadeira na bancada federal goiana e, agora, não elegeu ninguém, além de perder quase 50 mil votos. Em 2022 Marconi perdeu para o senado com 626,6 mil votos e, em 2026, Ernesto Roller chegou a apenas 28,9 mil.
No Brasil, os tucanos tinham 20 deputados federais em 2018, depois caiu para 13 em 2022 e, agora, 11. Tinha 4 senadores desde 2019 e, a partir de 2027, cai para 2. Em 2020 havia 4.396 vereadores tucanos no país, em 2024 reduziu para 3.002. Em 2016 eram 785 prefeitos, depois 512 em 2020 e, em 2024, foram eleitos 269. Em Anápolis o PSDB jamais comandou a Prefeitura e não tem representação na Câmara Municipal.
Aproximação
A ex-prefeita de Campo Limpo, Graciele Marta (da Arte Trigo), do Agir, eleita deputada estadual com 37.252 votos, obteve 17.841 votos em Anápolis. Numa entrevista ao repórter Marcelo Santos da Manchester FM, disse que quer buscar abertura política na cidade. Radicada em Campo Limpo, Graciele nasceu em Anápolis. “A eleição acabou, vamos trabalhar juntos”, disse. Nos bastidores a informação é que pretende se mudar para Anápolis.
Suender na oposição?
Na tribuna da Câmara, na terça-feira, 6, ao manifestar mágoa pelo fato de não ter contado com o apoio direto do PL e do Executivo municipal à sua candidatura a deputado federal, o vereador Suender Silva deixou nas entrelinhas a impressão de esfriamento de sua condição de membro da situação. Sobrou até para seu partido, que, segundo Suender, não o “impulsionou como precisava”. E, no final de sua fala, disse: “Em 2028 nos aguardem. Temos estrutura e gordura para falar em algo maior”. E se lançou pré-candidato a prefeito.
Novo rumo 1
Com o insucesso na disputa pelo governo e as ranhuras internas no PL, Wilder Morais perde força no comando do partido em Goiás. Na campanha teve problemas inclusive em arregimentar o eleitor bolsonarista goiano ao seu projeto. Também foi derrotado no confronto direto com o prefeito Márcio Corrêa, no episódio da tentativa de puni-lo por apoiar outro candidato ao Palácio das Esmeraldas.
Novo rumo 2
O senador eleito Gustavo Gayer e o deputado federal eleito Major Vítor Hugo – que desde o início resistiram à ideia da candidatura de Wilder e defendiam composição com a base do governo estadual – saíram em defesa de Márcio Corrêa. Gayer chegou a dizer, em um discurso, que Márcio “era mais de direita do que qualquer outro que queira tira-lo do partido”. Nos bastidores, é dada como certa a mudança de forças no comando do PL em Goiás em breve.
Mudança na Câmara
O vereador licenciado Divino Santa Cruz/Corinthians (PSD), que responde pela Secretaria Municipal de Esportes, pode retornar à Câmara Municipal nos próximos dias. Divino era indicado pelo deputado Amilton Filho para a pasta. À coluna, o vereador informou que decide sobre o assunto até esta sexta-feira, 9.
Cláusula de barreira
Pelo menos três partidos com cadeiras na Câmara de Anápolis (PDT, Avante e PRD) estão entre as sete siglas que deixaram de alcançar a cláusula de barreira e, por isso, deixam de ter acesso a recursos do Fundo Partidário e perdem tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão. Após as eleições, também se enquadraram nesse quesito PSOL/Rede (federados), Missão e Solidariedade (federado com o PRD).
Reforço de peso
O empresário Ubiratan Lopes (Grupo Vibracom) está de volta à militância classista empresarial em Anápolis, após um período afastado. Vai assumir o comando da Fieg Regional em Anápolis. Duas vezes presidente da Associação Comercial e Industrial de Anápolis (Acia) e presidente do Sebrae/GO, é uma das reservas morais do empresariado goiano.
Vanderlan prefeito?
Sem mandato a partir de 2027, o senador Vanderlan Cardoso (PSD), 5º colocado na eleição ao Senado nas eleições de 4 de outubro com 633.843 votos, pode disputar a eleição para prefeito em Senador Canedo em 2028? Ele comandou o município por dois mandatos. Disputou o governo estadual duas vezes, a prefeitura de Goiânia por três vezes e, em 2018 se elegeu senador com mais de 1,7 milhão de votos.
