Há mais de uma década, um anapolino de coração e guardião da memória da cidade tenta viabilizar a publicação de um dos maiores acervos fotográficos sobre a história de Anápolis
Ao completar 119 anos de emancipação política, Anápolis ainda tem um dos seus retratos mais preciosos guardado na gaveta, longe das páginas impressas. Trata-se da obra idealizada pelo servidor público Claudiomir Justino Gonçalves — mineiro de nascimento e anapolino por escolha e paixão — que há mais de uma década dedica a vida à preservação da memória da cidade.
Natural de Patos de Minas (MG), Claudiomir chegou a Goiás ainda criança. Uma de suas lembranças mais marcantes remonta aos 12 anos, quando desembarcou em Anápolis durante uma mudança da família e se impressionou com o que descreve como um “mar de luzes”. Depois de viver em outras cidades, retornou definitivamente em 1994 ao município que passou a considerar seu verdadeiro torrão natal.

Missão Pessoal
Sem formação acadêmica em História, mas movido pela curiosidade, pelo amor à fotografia e pela admiração pela cidade que o acolheu, Claudiomir transformou uma paixão em missão. Em 2008, durante as férias do trabalho como servidor público estadual, incomodou-se ao ouvir comentários de que Anápolis era uma cidade sem beleza. Decidiu, então, sair às ruas munido apenas de uma câmera fotográfica para provar justamente o contrário.
O que começou como passatempo tomou proporções inesperadas. Vieram as pesquisas em livros antigos, a busca por imagens esquecidas, a restauração de fotografias deterioradas e a organização criteriosa de informações históricas. Ao longo dos anos, ele reuniu um acervo composto por mais de 30 mil fotografias, entre registros atuais, imagens antigas recuperadas e documentos catalogados com extremo cuidado.
Sonho Editorial
Todo esse trabalho resultou na coleção “Anápolis no Fluir dos Anos”, composta por cinco volumes organizados cronologicamente. A proposta é contar a história anapolina de maneira acessível e visualmente atrativa, reunindo personagens, transformações urbanas, acontecimentos marcantes e até a formação dos municípios originados do território de Anápolis.
O primeiro volume, abrangendo o período entre 1798 e 1951, chegou a ser lançado em formato digital. Os demais livros abordarão os períodos de 1952 a 1973, 1974 a 1997, 1998 a 2009 e 2010 a 2020. Entretanto, o sonho de ver a coleção completa impressa permanece distante.
Sem recursos próprios para custear um projeto dessa magnitude, Claudiomir percorreu instituições de ensino, empresas, fundações e buscou apoio junto a diferentes segmentos da sociedade. Até o momento, porém, não encontrou os meios necessários para transformar definitivamente o projeto em realidade.
Legado Futuro
A situação contrasta com a importância do trabalho realizado. Ao longo dos anos, Claudiomir tornou-se fonte de consulta para jornalistas, pesquisadores, estudantes e apaixonados pela história local. Por meio das páginas “Anápolis na Rede”, nas redes sociais, compartilha gratuitamente parte do acervo, democratizando o acesso à memória da cidade.
Às vésperas dos 119 anos de Anápolis, talvez tenha chegado o momento de a própria comunidade reconhecer o valor desse patrimônio construído silenciosamente. Apoiar a publicação dessa obra não significa apenas realizar o sonho de um servidor público apaixonado pela cidade. Significa oferecer às futuras gerações a oportunidade de conhecer, compreender e valorizar a trajetória que ajudou a moldar a identidade anapolina.
Mais do que livros, Claudiomir Justino preserva fragmentos da alma de Anápolis. E toda cidade que respeita o seu passado compreende que investir na preservação da memória é, sobretudo, um compromisso com o futuro.
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