Da infância simples no bairro São Carlos ao comando da Sarto Imóveis, empreendedor acredita que o maior patrimônio de uma cidade são as pessoas que escolhem fazê-la crescer
Tudo começou muito antes do primeiro imóvel vendido, do primeiro contrato assinado ou da criação da Sarto Imóveis. Começou dentro de uma casa simples, onde uma mãe criou praticamente sozinha dois filhos e lhes ensinou que estudo, trabalho, honestidade e disposição para servir às pessoas eram riquezas que ninguém seria capaz de tirar.
Pedro Antônio Corrêa Busby costuma afirmar que sua maior herança não foi financeira. Foi moral. A mãe, Dirlene, ensinou-lhe a importância de cuidar das pessoas. A irmã, Pollyanne, dez anos mais velha, tornou-se referência permanente, mostrando que o conhecimento seria sempre o caminho mais seguro para transformar a realidade. Ao longo da vida vieram professores, familiares, amigos e mentores que abriram portas e fortaleceram uma convicção que permanece até hoje: ninguém constrói uma grande história sozinho.
Essa talvez seja a razão pela qual Pedro fala tão pouco de si e tanto das pessoas que cruzaram seu caminho. Ao recordar sua trajetória, faz questão de citar nomes, reconhecer gestos de solidariedade e agradecer oportunidades. É uma postura pouco comum em um ambiente onde o sucesso costuma ser apresentado como mérito exclusivamente individual.
Primeiros passos
A infância transcorreu no bairro São Carlos, em Anápolis, cercada pela simplicidade de quem aprendeu cedo o valor do esforço. Ainda estudante, destacava-se pelo gosto pela matemática e pelo raciocínio lógico. Participou das Olimpíadas Brasileiras de Matemática e recebeu menções honrosas que reforçaram sua dedicação aos estudos. Passou pelo Colégio Militar César Toledo, onde assimilou disciplina, respeito e cidadania; estudou também no Colégio Orion e concluiu o ensino médio no Colégio Couto Magalhães, instituições que, segundo ele, ajudaram a consolidar princípios que continuam presentes em sua vida.
Foi justamente nesse período que surgiu o primeiro contato com o empreendedorismo. Enquanto cursava Arquitetura, começou a comprar sapatilhas femininas para revendê-las aos colegas de faculdade. A iniciativa, que parecia apenas uma forma de obter renda extra, rapidamente revelou uma vocação.
Sem carro, sem carteira de motorista e ainda adolescente, organizou uma pequena rede de revendedoras. Comprava os produtos diretamente da fábrica, distribuía às parceiras e descobria, na prática, conceitos de negociação, liderança e gestão comercial muito antes de frequentar cursos especializados.
Mais importante do que o lucro foi a descoberta de que poderia construir o próprio caminho. “Foi ali que entendi que o empreendedorismo poderia transformar não apenas a minha vida, mas também a da minha família.”
Nova trajetória
O mercado imobiliário apareceu logo depois e mudaria definitivamente sua trajetória.
Convidado pelo primo André Fleury, iniciou suas primeiras experiências em Goiânia, na Adão Imóveis. Bastou pouco tempo para perceber que havia encontrado o segmento no qual desejava permanecer.
Mais do que vender imóveis, encantava-se pela capacidade de transformar áreas vazias em bairros, edifícios, empresas e novos espaços de convivência. Descobria que construir cidades significava, sobretudo, construir oportunidades para milhares de pessoas.
A paixão apenas aumentou com o tempo. Vieram experiências na CODEGO – Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás, onde conheceu de perto os mecanismos de expansão industrial. Depois, uma decisão considerada ousada por muitos: deixou um cargo público estável para recomeçar praticamente do zero no tradicional Escritório Naves.
Ali encontrou novos mestres. Ao lado dos advogados Fernando Costa e Roberto Naves, aprofundou conhecimentos em Direito Imobiliário, estruturação de empreendimentos, desenvolvimento urbano e planejamento patrimonial. Vieram a pós-graduação, os cursos no Insper e uma dedicação quase integral ao universo imobiliário.
Pedro costuma dizer que nunca houve um momento específico em que decidiu seguir essa profissão. Foi uma paixão construída lentamente, amadurecida pela convivência diária com investidores, empresários e profissionais que lhe mostraram que o mercado imobiliário é muito mais do que compra e venda de propriedades. Trata-se de planejar cidades, movimentar economias e realizar projetos de vida.
Nesse percurso, participou diretamente da estruturação comercial do Fazenda Canoa, empreendimento que se tornou referência regional e consolidou sua experiência na gestão de grandes projetos.

Atendimento sob medida
Foi então que surgiu a oportunidade de criar algo próprio. Ao lado de João Paulo Pina e, posteriormente, de Jales Cândido, nasceu a Sarto Imóveis. O nome resume perfeitamente a filosofia da empresa. “Sarto”, em italiano, significa alfaiate.
Assim como um alfaiate confecciona uma peça exclusiva para cada cliente, a empresa decidiu construir um atendimento personalizado, baseado menos na simples intermediação de imóveis e mais na compreensão das necessidades de cada família.
Pedro costuma afirmar que nunca desejou criar apenas uma imobiliária. Queria desenvolver uma boutique de negócios, onde relacionamento, hospitalidade e confiança fossem tão importantes quanto os próprios empreendimentos. Um ambiente onde as pessoas se sentissem acolhidas antes mesmo de iniciar qualquer negociação.
Essa visão também explica a forma como enxerga Anápolis. Ao contrário de muitos empresários que buscaram mercados maiores, jamais cogitou construir sua história longe da cidade onde nasceu.
Para ele, Anápolis reúne características raras: localização estratégica, vocação logística, força industrial, qualidade de vida e, principalmente, uma população que acredita no próprio município.
Na sua avaliação, o eixo Goiânia-Anápolis-Brasília deixará de representar concorrência para tornar-se um dos maiores corredores de desenvolvimento econômico do país, consolidando Anápolis como protagonista desse processo.
Também acredita que o crescimento urbano exigirá planejamento cada vez mais eficiente, investimentos em mobilidade, paisagismo, infraestrutura e preservação ambiental.
Para Pedro, desenvolver cidades não significa apenas construir edifícios. Significa criar espaços onde as pessoas tenham orgulho de viver. É uma visão que ultrapassa os limites do mercado imobiliário e aproxima-se do compromisso com a qualidade de vida.
Talvez por isso faça questão de dizer que seu maior objetivo não é vender mais imóveis, mas contribuir para que Anápolis continue sendo uma cidade capaz de acolher pessoas, gerar oportunidades e inspirar novas gerações de empreendedores.
Legado familiar
Hoje, ao lado da esposa, Katylla, vive outro momento marcante da vida: a expectativa pelo nascimento da filha Antonella. É impossível ouvi-lo falar sobre o futuro sem perceber que todas as conquistas profissionais passam, inevitavelmente, pela família.
O legado que deseja construir também segue essa lógica. Não fala em prédios, patrimônio ou resultados financeiros. Prefere imaginar que, daqui a algumas décadas, alguém possa dizer que suas empresas ajudaram a tornar Anápolis uma cidade melhor para viver. Que retribuíram, de alguma forma, tudo aquilo que receberam.
Ao comparar a cidade a um pai e uma mãe, Pedro revela talvez o sentimento mais sincero de toda a sua trajetória. “Anápolis me criou, me deu oportunidades e acreditou em mim. Agora chegou a minha vez de retribuir.”
É justamente esse compromisso que explica sua caminhada.
Mais do que desenvolver empreendimentos, Pedro Busby escolheu dedicar sua carreira à construção de algo muito maior: uma cidade onde prosperidade, planejamento e relações humanas caminhando lado a lado. Porque, no fim das contas, edifícios transformam paisagens. Mas são as pessoas que transformam cidades.
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