O recrudescimento da violência urbana em Anápolis tem alarmado, sobremaneira, a população local, que estava desacostumada a conviver com índices tão expressivos de criminalidade, sobretudo em ocorrências violentas contra a pessoa. Os homicídios se multiplicam sem um denominador comum evidente sobre causas e efeitos.
Vander Lúcio Barbosa
Os motivos são variados e a incidência se distribui por todas as camadas sociais. Contudo, este não é um privilégio de Anápolis. Por todo o Brasil, em municípios de pequeno, médio e grande porte, esse cenário social é apavorante, alimenta uma profunda sensação de insegurança e instabilidade, extrapolando em muito os registros frios dos plantões policiais.
Teoricamente, aponta-se que a violência no Brasil combina forte apreensão e mudanças de rotina, afetando diretamente mais da metade da população. A explicação clássica atribui esse panorama às desigualdades socioeconômicas e ao avanço do crime organizado, embora estatísticas oficiais de homicídios flutuem regionalmente. Mas o problema evoluiu: se antes era associado apenas à exclusão e à falta de oportunidades nas periferias, hoje atinge também parcelas abastadas da sociedade, envolvidas com o tráfico e organizações criminosas que se interiorizaram.
A responsabilidade recairia sobre as leis? Especialistas apontam lacunas na legislação penal, lentidão na Justiça e falhas na integração entre as forças policiais, fatores que alimentam a impunidade. Trata-se de um desafio complexo para os poderes constituídos, cabendo aos parlamentares a elaboração de leis modernas e eficazes.
Contudo, a sociedade civil também precisa cumprir seu papel constitucional, exigindo fiscalização rigorosa e eficácia dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. De nada adianta o anúncio de planos mirabolantes por governos se não houver retaguarda jurídica sólida.
É urgente uma união ampla entre povo e governo em favor da paz social, amparada por um sistema de justiça célere e rigoroso. Enquanto essa articulação efetiva não se consolida, a criminalidade continua a avançar.
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