Imagens transmitidas ao vivo ajudaram a transformar o ataque em uma memória global
Na manhã de 11 de setembro de 2001, o mundo acompanhou pela televisão imagens que entrariam para a história. Em poucas horas, os ataques nos Estados Unidos deixaram quase 3 mil mortos e transformaram a forma como uma geração passou a enxergar o terrorismo.
Às 8h46, no horário local, o primeiro avião atingiu a Torre Norte do World Trade Center, em Nova York. Dezessete minutos depois, outra aeronave atingiu a Torre Sul. As emissoras interromperam a programação e passaram a transmitir, ao vivo, as informações sobre o que estava acontecendo.
A dimensão do ataque aumentou rapidamente. Às 9h37, um terceiro avião atingiu o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Às 10h03, o quarto avião caiu em uma área rural da Pensilvânia, depois que passageiros e tripulantes reagiram aos sequestradores.
As imagens das torres em chamas, da fumaça tomando conta de Manhattan e, posteriormente, dos prédios desabando foram repetidas inúmeras vezes pelas emissoras de televisão. O impacto visual daquele dia fez com que cenas registradas em poucos minutos permanecessem na memória de milhões de pessoas.
Para o professor Eugênio Bucci, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), a repetição das imagens contribuiu para que o acontecimento produzisse um trauma em escala global.
“Isso abriu uma ferida no olhar. Naquele dia, o olhar se tornou mutilado de guerra. O atentado conseguiu ferir todas as pessoas, tanto que todas as pessoas no mundo inteiro são capazes de se lembrar onde estavam quando tiveram notícia daquele acontecimento”, afirmou.
Segundo Bucci, a televisão ao vivo também produziu uma experiência particular de passagem do tempo. A repetição contínua das mesmas cenas fazia com que segundos e minutos fossem ampliados durante horas de transmissão.
Imagens


Foto de Jose Jimenez, Primera Hora/Getty Images




Foto de Marty Lederhandler, Ap


Foto de Suzanne Plunkett, Ap
A autoria
As investigações apontaram a Al-Qaeda como responsável pelos ataques. A organização havia sido fundada no fim dos anos 1980 e era liderada por Osama bin Laden, saudita que ganhou projeção durante a guerra contra a ocupação soviética no Afeganistão.
Antes do 11 de Setembro, a organização já havia sido associada a ataques contra interesses norte-americanos. Entre eles estavam os atentados contra as embaixadas dos Estados Unidos no Quênia e na Tanzânia, em 1998, e o ataque ao navio militar USS Cole, no Iêmen, em 2000.
Depois dos atentados de 2001, bin Laden se tornou o principal alvo da operação norte-americana de caça aos responsáveis. Ele permaneceu escondido por quase uma década até ser localizado em Abbottabad, no Paquistão.
Em 2 de maio de 2011, uma equipe de forças especiais dos Estados Unidos realizou uma operação no complexo onde ele estava. Bin Laden foi morto aos 54 anos.
Marcas do ataque
Os efeitos do 11 de Setembro ultrapassaram as mortes provocadas diretamente pelos ataques. A resposta norte-americana levou à invasão do Afeganistão, mudanças nas políticas de segurança dos Estados Unidos e alterações nos procedimentos de aeroportos em diversos países.
O impacto também atingiu milhares de pessoas expostas às consequências dos ataques. Cerca de 400 mil pessoas foram expostas à poeira tóxica liberada após o desabamento das estruturas. A remoção dos escombros levou aproximadamente oito meses, com a retirada de cerca de 1,8 milhão de toneladas de material.

Vinte e cinco anos depois, as imagens daquele dia continuam sendo utilizadas para recontar o episódio. Para quem acompanhou as transmissões, muitas delas permanecem associadas a lembranças pessoais. Para as gerações que nasceram depois, tornaram-se registros históricos de um acontecimento que alterou a política internacional e a percepção mundial sobre o terrorismo.

Nesta sexta-feira (11), os Estados Unidos realizam cerimônias pelos 25 anos dos ataques, reunindo familiares das vítimas e autoridades. Em Nova York, o local onde ficavam as Torres Gêmeas permanece como espaço de memória e homenagem às pessoas que morreram naquele dia.

Foto de Jason Florio, Corbis
Vídeo
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