Alteração na fecundação impede gestação normal e exige tratamento
A mola gestacional é uma alteração rara que acontece logo no início da gravidez, durante a fecundação. A condição impede o desenvolvimento normal do bebê e, em alguns casos, pode evoluir para um câncer de placenta.
A doença ocorre quando há um erro na combinação do material genético do óvulo e do espermatozoide. Com isso, o tecido que deveria formar a placenta cresce de maneira anormal.
Existem dois tipos principais de mola gestacional: a parcial e a completa.
Como acontece
Na mola parcial, um óvulo normal é fecundado por dois espermatozoides ou por um espermatozoide com material genético duplicado. Nesse caso, há formação de uma placenta alterada e de um embrião com alterações genéticas graves, que não permitem a continuidade da gravidez.
Já na mola completa, o óvulo não possui material genético e é fecundado por um espermatozoide. Assim, ocorre apenas a formação de uma placenta anormal, sem a presença de um embrião.
Nos dois casos, a gravidez é considerada inviável e precisa ser interrompida. A retirada da mola é necessária porque o tecido anormal pode continuar crescendo e causar complicações.
Segundo o professor de obstetrícia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Antônio Braga, a doença pode atingir mulheres em idade fértil e ainda é pouco conhecida.
“Uma em cada 200 a 400 mulheres que engravidam no Brasil vai ter essa doença. Nos Estados Unidos, essa taxa é de uma a cada mil mulheres… Na Inglaterra, é de uma a cada duas mil. Tem investigação sobre as razões pra essa diferença. Fatores genéticos, imunológicos, alimentares… essas são as principais suspeitas. Mas nada ainda está bem estabelecido”, destaca.
Risco câncer
A principal preocupação da mola gestacional ocorre quando células do tecido alterado permanecem no útero após a retirada da mola. Em alguns casos, essas células continuam crescendo e podem formar um câncer de placenta, chamado neoplasia trofoblástica gestacional.
A evolução para câncer acontece em menos de 5% das mulheres com mola parcial. Porém, entre pacientes com mola completa, uma em cada cinco pode desenvolver a doença.
Quando identificada, a complicação pode ser tratada com quimioterapia. O acompanhamento é feito principalmente por exames que medem o nível do hormônio HCG, produzido durante a gravidez.
“Esse é o único câncer da espécie humana que o diagnóstico não é histopatológico, não se faz biopsia. O diagnóstico é dado pelo hormônio da gravidez, esse que é o marcador tumoral da doença”, explica Braga.
História paciente
A terapeuta ocupacional Daiana Nascimento descobriu a mola gestacional após realizar um ultrassom de rotina. Ela esperava por uma gravidez há meses, mas recebeu o diagnóstico de câncer de placenta pouco tempo depois.
“Em menos de três dias, eu vivi o dia mais feliz e o dia mais triste da minha vida. E, menos de um mês depois, eu estava com um câncer gerado de uma gestação. Foi muito difícil. A gente nunca imagina que vai passar por isso”, lembra.
Após as sessões de quimioterapia, Daiana apresentou normalização do HCG e está curada. Ela ainda precisa esperar alguns meses antes de tentar uma nova gravidez.
Especialistas afirmam que, com diagnóstico e acompanhamento adequados, a maioria das mulheres consegue se recuperar e pode engravidar novamente.
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