Famílias criaram filhos trocados durante três anos em Goiás
A Justiça condenou o Hospital São Sebastião, em Inhumas, a pagar R$ 1 milhão por danos morais às famílias de dois meninos trocados após o parto, ocorrido em outubro de 2021. A decisão, divulgada nesta semana pela TV Anhanguera, reconheceu falha grave na prestação do serviço e apontou uma “gravíssima violação” aos direitos das famílias envolvidas.
Conforme a sentença, cada um dos quatro pais receberá R$ 250 mil. Além disso, o hospital deverá ressarcir os gastos realizados com exames de DNA. O caso tramita em segredo de Justiça, porém ainda cabe recurso.
Descoberta do caso
A troca dos bebês só veio à tona em 2024, quando Cláudio Alves decidiu realizar um exame de DNA para confirmar a paternidade do filho. Entretanto, após a separação, a ex-mulher, Yasmin Kessia da Silva, também fez o teste e descobriu que igualmente não era a mãe biológica da criança.
“Se ele não fosse filho do Cláudio, também não era meu”, afirmou Yasmin.
O exame, realizado em 31 de outubro de 2024, revelou incompatibilidade sanguínea entre a criança e Cláudio. Inicialmente, Yasmin acreditou que o resultado poderia estar errado e solicitou uma contraprova. No entanto, o novo teste confirmou que o menino não possuía vínculo biológico com o casal.
As crianças nasceram em outubro de 2021 na maternidade de Inhumas. Primeiro, às 7h35, nasceu o filho de Yasmin e Cláudio. Logo depois, às 7h40, nasceu o bebê de Isamara Cristina Mendanha e Guilherme Luiz de Souza.
Após os partos, os recém-nascidos foram levados para uma sala onde passaram pela pesagem. Contudo, devido às restrições da pandemia da Covid-19, os pais não acompanharam o procedimento. Assim, os meninos permaneceram durante três anos com as famílias trocadas.
Quando Cláudio e Yasmin descobriram o ocorrido, procuraram o casal que também teve um filho no mesmo dia e maternidade. Em seguida, os testes de DNA confirmaram a troca dos bebês.

Investigação policial
A Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso e concluiu que a troca aconteceu dentro do berçário da maternidade. Conforme as investigações, uma técnica de enfermagem confundiu os recém-nascidos no momento da entrega às famílias.
Apesar disso, a corporação entendeu que não houve crime, já que os bebês estavam identificados com pulseiras de nascimento. Por isso, o caso foi arquivado.
Nova rotina
Em dezembro de 2024, as famílias passaram a conviver mais próximas e realizaram até um passeio juntas. Desde então, iniciaram o processo de destroca das crianças. Pouco depois, a Justiça homologou o acordo.
Segundo documento divulgado pela TV Anhanguera, os filhos permanecerão com os pais biológicos de segunda a sexta-feira. Já no primeiro fim de semana de cada mês, ambos ficarão com Yasmin e Cláudio. No segundo fim de semana, permanecerão com Isamara e Guilherme.
“No terceiro final de semana, as crianças passarão os finais de semana em suas respectivas residências; já no quarto, as crianças passarão separadas, na residência dos genitores socioafetivos [aqueles que criaram]”, detalha o texto.
Além disso, as certidões das crianças foram alteradas. Agora, cada menino possui oficialmente dois pais e duas mães.
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