A Associação Comercial e Industrial de Anápolis (ACIA) exerceu um papel preponderante no trabalho que resultou na implantação do Distrito Agro Industrial de Anápolis (DAIA), em meados da década de 1970.
Hoje, cinco décadas depois, a entidade, continua levantando a bandeira de não só apoiar, mas fortalecer o polo fabril de Anápolis, que foi, pode-se dizer, uma engrenagem mestra para o processo de industrialização do Estado de Goiás.
Em entrevista ao CONTEXTO, o presidente da ACIA, Luiz Cláudio Ledra, fala sobre essa participação na história e o desafio de, cada vez mais, tornar o Distrito uma vitrine do desenvolvimento, com todo o seu potencial de fomentar a geração de emprego, renda e divisas.
CONTEXTO- A ACIA teve papel importante na implantação do DAIA. Como o senhor vê essa participação da entidade na história do distrito?
LUIZ CLÁUDIO- Eu vejo essa participação com muito orgulho. A ACIA, com certeza, teve um papel fundamental na articulação para a implantação do DAIA, aproximando o setor empresarial do operador público e defendendo a industrialização de Anápolis. Isso mostra que desde aquela época, a Associação já tinha uma visão de futuro e entendia também a importância da indústria para o desenvolvimento da nossa cidade. Hoje, 50 anos depois, nós temos a responsabilidade de dar a continuidade a esse trabalho, defendendo o fortalecimento e a expansão do DAIA. E é isso que hoje participamos e fazemos diretamente.
CONTEXTO- Atualmente, como a ACIA tem trabalhado no sentido de fortalecer a indústria de Anápolis, em especial, o DAIA?
LUIZ CLÁUDIO – Nós temos trabalhado em várias áreas, principalmente, na defesa de políticas estruturantes, que possam reduzir os custos operacionais das empresas e ampliar a competitividade da nossa indústria. Isso passa por melhorias na infraestrutura, no sistema logístico, na qualificação da mão de obra, incentivos à atividade produtiva e, principalmente, na regularização das áreas, garantindo mais segurança jurídica para quem investe. O que era um problema muito grande do DAIA, hoje, grande parte está resolvido. O nosso entendimento é que não basta somente atrair indústrias, precisamos oferecer melhores condições para que essas empresas que já estão aqui possam produzir, crescer e gerar mais empregos. E as empresas que querem se instalar aqui querem ver um ambiente, um ecossistema propício a esse desenvolvimento.
CONTEXTO – Quais são os principais desafios que vêm pela frente, sobretudo, com a reforma tributária e o fim dos incentivos fiscais?
LUIZ CLÁUDIO – Sem dúvida, reforma tributária dá medo para todo mundo. É um dos maiores desafios. Ela vai mudar a forma como os estados competem pela atração de investimentos, principalmente, com a redução gradual dos incentivos fiscais vinculados ao ICMS. E nós não podemos esperar essas mudanças acontecerem para depois buscarmos soluções. A ACIA vai atuar firmemente na construção de uma força política institucional, para que a gente possa defender os interesses da nossa indústria e preservar a competitividade da cidade de Anápolis. Precisamos avançar em políticas estruturantes que transformem nossas vantagens em diferenciais reais, principalmente na logística, na qualificação de mão de obra, na infraestrutura e na redução dos custos de produção. Com isso, nosso objetivo seria o quê? Garantir que Anápolis continue sendo uma cidade atrativa para novos investimentos e competitiva para empresas que já estão instaladas aqui.
CONTEXTO – O senhor acredita que é importante nesse contexto de mudanças, uma maior união entre o setor produtivo e os governos estadual e municipal?
LUIZ CLÁUDIO – Sim. Eu acredito que essa união é fundamental, porque os desafios que teremos de agora para frente vão exigir muito planejamento, diálogo e muitas ações conjuntas. E a ACIA tem cumprido justamente esse papel de ponte entre o setor produtivo e o poder público. Nós temos mantido hoje um diálogo muito forte com o governador Daniel Vilela e temos uma grande proximidade com a Codego, que hoje é protegida pelo nosso vice-presidente, Luiz Antônio Rosa. Então, isso fortalece a nossa capacidade de apresentar as demandas dos empresários e buscar soluções mais rápidas e mais concretas. Mas, mesmo assim, precisamos unir cada vez mais forças, porque o desenvolvimento de Anápolis depende de um ambiente favorável para quem empreende, investe e, principalmente, para quem vai gerar emprego.
CONTEXTO – Que mensagem, como presidente da ACIA, o senhor deixa para esses 50 anos do DAIA?
LUIZ CLÁUDIO – O transcurso dos 50 anos do DAIA representa uma história de desenvolvimento, de geração de empregos, de muitas conquistas para a cidade de Anápolis e para o estado de Goiás. Mas eu acredito que, mais do que celebrar o passado, esse é o momento de olhar para o futuro. Nós precisamos trabalhar pela ampliação do DAIA, pela modernização da infraestrutura e, principalmente, por melhores condições para que o empresário possa investir, produzir e crescer. A ACIA vai continuar sempre firme nessa defesa, porque nós acreditamos no potencial da nossa indústria e sabemos que Anápolis tem todas as condições de avançar cada vez mais. Que esses 50 anos também não represente somente uma história de conquistas, mas o início de uma nova etapa de crescimento para o DAIA e para a nossa cidade.
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