A incerteza e a insegurança econômica advindas da crise entre Estados Unidos, Israel e Irã apontam para mais um cenário de efeitos imprevisíveis no custo de vida, sobretudo em países emergentes como o Brasil. Não que o país vá sofrer mais que outros, até porque a produção nacional de petróleo ajuda a amenizar impactos e reduz o risco de desabastecimento imediato.
Por Vander Lúcio Barbosa
O que se questiona, entretanto, é o custo dessa estabilidade e por quanto tempo a economia brasileira suportaria oscilações no abastecimento e consequentes reajustes de preços. O Brasil consolidou-se como um país altamente dependente do transporte rodoviário, realidade construída desde a expansão da indústria automobilística ao longo do século XX.
Com o tempo, automóveis deixaram de ser luxo e tornaram-se presença comum nas cidades. Paralelamente, caminhões substituíram trens e outros meios, elevando significativamente o consumo de combustíveis. Ainda hoje, a produção nacional não supre totalmente a demanda, o que mantém o país dependente de importações.
Essas importações, atreladas ao dólar, pressionam a política de preços e ampliam a vulnerabilidade econômica. Trata-se de um caminho difícil de reverter no curto prazo, já que a dependência de veículos continua crescendo, enquanto a produção de combustíveis permanece aquém do necessário.
Uma crise na cadeia de combustíveis impacta diretamente todos os setores econômicos. Historicamente, o mundo se tornou refém do petróleo, com crises recorrentes conforme o cenário geopolítico. Diante disso, alternativas como ferrovias, navegação e novos combustíveis tornam-se cada vez mais urgentes.
Experiências como o Proálcool mostraram caminhos possíveis, mas pouco avançou desde então. A aposta atual nos carros elétricos ainda esbarra no alto custo. Assim, o país segue dependente do petróleo, torcendo para que preços e abastecimento não agravem ainda mais a pressão sobre a sociedade.
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