No dia 23 de julho, a adolescente norte-americana Sarah Frank tinha o intuito de publicar um vídeo relativamente inocente em seu TikTok. “Bem-vindos aos side hustles que eu recomendo tentar”, disse ela nos primeiros segundos, sentada em seu quarto e sorrindo para a câmera. Em inglês, “side hustles” significa alguma atividade rentável para conseguir aquela grana extra.
Uma das dicas de Frank em seu vídeo foi para utilizar o site Prolific.co, onde usuários respondem pesquisas e recebem uma quantia em dinheiro em troca. A ferramenta é essencial para cientistas que conduzem pesquisas comportamentais e revolucionou vários campos de pesquisa após seu lançamento.
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O que Frank não esperava é que seu vídeo iria acumular 4,1 milhões de visualizações no mês seguinte a publicação. O site, que não contava com ferramenta de triagem, de repente recebeu uma enxurrada de usuários mulheres, dos Estados Unidos e em torno da idade da jovem de 18 anos. Para os pesquisadores, a mudança repentina da demografia da plataforma gerou confusão — e ameaçou a reputação do Prolific, que é um dos maiores sites para pesquisas do tipo.
“Notamos um grande salto no número de participantes na plataforma dos EUA, de 40 mil para 80 mil. O que é ótimo, no entanto, agora muitos de nossos estudos têm uma distorção de gênero, em que talvez 85% dos participantes são mulheres. Além disso, a média de idade está em torno de 21″, escreveu um membro do Stanford Behavioral Laboratory em um fórum do Prolific.
Cerca de 4.600 estudos foram interrompidos por conta do TikTok de Frank, aproximadamente 1/3 das pesquisas ativas na época do vídeo. Destes, a grande maioria deve ser recuperável, de acordo com Phelim Bradley, cofundador e CTO da Prolific. Um mês depois do vídeo, a plataforma reembolsou pesquisadores que foram afetados pela onda de respostas e introduziu uma nova ferramenta de triagem demográfica.