
ANTT suspende testes de velocidade média em rodovias federais para aprimorar sinalização e comunicação transparente com os motoristas
Os testes com os radares de velocidade média em rodovias federais concedidas foram suspensos temporariamente. A decisão foi anunciada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), poucos dias após a autorização de funcionamento. A suspensão se baseou na decisão de melhorar a sinalização das vias e a comunicação com os motoristas.
Apesar do grande número de reclamações que a fiscalização eletrônica provoca entre os condutores, Goiás continuará entre os estados escolhidos para testar essa nova tecnologia nas rodovias federais: o radar inteligente, capaz de calcular a velocidade média dos veículos em determinado trecho.
Na BR-414, em Goiás, o sistema atuará durante pelo menos 180 dias. Durante a fase experimental, não serão aplicadas multas com base na velocidade média registrada. O objetivo é observar o comportamento dos condutores e avaliar o funcionamento da tecnologia.
Diferentemente dos radares tradicionais, que medem a velocidade em um ponto específico, o novo equipamento utiliza dois pontos de controle para calcular o tempo gasto pelo veículo no percurso. Assim, é possível verificar a velocidade média mantida durante o trecho, e não apenas no instante em que o motorista passa pelo radar.
Experiências semelhantes já foram realizadas em outras regiões do país. Na BR-050, em Minas Gerais, uma concessionária monitora um trecho de aproximadamente 11 quilômetros. Segundo informações divulgadas pela empresa, os registros de excesso de velocidade caíram 22,5% na comparação entre os 15 dias anteriores e os 15 dias posteriores a uma blitz educativa realizada em parceria com a Polícia Rodoviária Federal.
Leitura precisa
Na prática, o sistema funciona de maneira relativamente simples. Ao passar pelo primeiro ponto de controle, a placa do veículo é identificada e o horário exato da passagem é registrado. Quando o automóvel chega ao segundo ponto, o equipamento faz uma nova leitura e verifica quanto tempo foi necessário para percorrer a distância entre os dois locais.
Com essas informações, o sistema calcula a velocidade média: divide a distância percorrida pelo tempo gasto. Se o motorista percorre um trecho de 20 quilômetros em 10 minutos, por exemplo, sua velocidade média será de 120 km/h. Isso não significa que ele tenha mantido essa velocidade durante todo o percurso, mas que o tempo total gasto corresponde a essa média.
Foco educativo
Comumente apelidadas de “indústria da multa”, as operações de fiscalização sempre levantam reclamações. Nossa análise é que o objetivo principal de qualquer radar é a redução de acidentes e a preservação de vidas, e não simplesmente a arrecadação. A fiscalização precisa ser transparente, bem sinalizada e acompanhada de investimentos em engenharia de tráfego, manutenção das rodovias e presença de agentes.
Acreditamos que a quantidade de radares fixos revela a necessidade de discutir a estrutura disponível para a fiscalização de rotina. A tecnologia pode ajudar, mas não substitui o trabalho dos agentes e policiais, que são fundamentais para abordar condutores, identificar comportamentos perigosos e agir em situações que os equipamentos não conseguem resolver.
No trânsito, segurança não deveria ser uma questão de arrecadação, mas de responsabilidade. E o cidadão tem o direito de saber como a tecnologia funciona e quais resultados realmente entrega.
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